segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

INTERATIVIDADE NO CONSUMO

A onda da badalação da Rua Augusta é daquelas coisas que quando você acha que foi já está voltando. Exatamente nesse ritmo é que, depois de anos no underground da cidade, a Rua Augusta vem retomando seu bom e velho lugar de ferveção. Um monte de novas baladas, restaurantes e bares estão pipocando por ali, como o Tubaína, que eu estou doida pra conhecer e contar pra vocês. Isso é a prova que ok os moderninhos descolados da cidade sabem circular e se adaptar ao mais variado tipo de público e local. Mas não são só baladas, bares e restaurantes não, novas lojas estão aparecendo. Uma delas tem um conceito que eu achei genial: a Endossa - Loja Colaborativa. O princípio é o seguinte: você tem um produto a ser vendido e a loja tem o espaço. O artesão, revendedor, importador ou seja lá o que for aluga um tipo de escaninho, uma prateleira de um tamanho x (conforme sua necessidade e capacidade financeira inicial) e divulga seu produto num local que seria praticamente impossível de fazer seu comércio. Só que não é só pagar pra ter um espaço bom na loja. Quando algum produto agrada a freguesia, vende mais, ganha mais espaço na loja. Quando algum produto mica, não vende nada ou muito pouco, perde o espaço. O locatário precisa vender, no mínimo, o valor do aluguel do espaço encaixotado. Assim, é o consumidor quem decide o que deve ou não ser exposto ali. A loja dá uma força pro micro-empreendedor, que tem mais exposição dos seus produtos, mas está sempre se moldando ao gosto do freguês. Só vai pra frente o que recebe o endosso do cliente. É mesmo como eles dizem: "uma ferramenta de curadoria das marcas". Não dá pra pensar num exemplo mais bacana de coletividade e interavidade no comércio. Na loja você consegue achar um monte de coisas: canecas estilizadas, camisetas com estampas maluconas, roupas moderninhas, bolsas e acessórios bem legais, bijoux dos mais variados tipos, faixas pra cabelo, ecobags, chaveiros e móbiles de feltro, toy art, adesivos de parede, um monte de badulaques para dar de presente (mesmo que seja pra você). Na verdade é quase um bazar, uma feira organizada, onde você encontra um arsenal dos produtos mais não-correlatos, coloridos e alternativos que puder imaginar. Não, dizer que os produtos são "alternativos" seria um rótulo injusto, porque tem rigorosamente quase de tudo para todos os gostos e estilos, mas tudo diferente. A cara da Rua Augusta. Mesmo se você não comprar nada, vale o passeio, ver o grafite da entrada e descobrir o que anda passando pela cabeça do pessoal mais criativo da cidade. (Dani Krause)
Rua Augusta, 1360

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

NOVAS ANTIGAS TRADIÇÕES NATALINAS

Ainda não falei aqui como eu amo Natal. É, eu amo. Fase agitada: temos que nos dividir em vários, atender a todos os convites, festas de final de ano, comemorações, amigos secretos micados, muito trânsito, correria, cumprir últimos prazos no trabalho, compras, ajudar aos necessitados, crianças, controlar minha ridícula vontade de tirar uma foto com o Papai Noel do shopping... ah, mas eu adoro! Curto esse clima que fica no ar. Sou uma pessoa melhor no Natal. Mas melhor mesmo é ouvir uma palavra positiva sobre bondade e Deus (ou sobre o que quer que se acredite), encontrar a família toda, ouvir músicas natalinas, comer peru com fios de ovos e cereja em calda, a rabanada da Tia Lídia, nozes e panetone. As comidas dessa época são únicas, são memória emotiva mesmo. E, nos últimos anos, outras tradições vêm sendo incorporadas aos meus costumes natalinos paulistanos, as gaúchas-alemãs, agregadas pela família do marido. Coisa fofa que eu acho que eles fazem são os Platzen, umas bolachinhas decoradas feitas em formatos de estrela, sinos, bota de Papai Noel etc.... Tudo feito em casa, embrulhado e dado de presente. As crianças participam usando os cortadores em formatos diferentes e tudo vira uma diversão bem melequenta e engraçada na hora de decorar as bolachas. Mas (e isso eu tenho certeza que já falei aqui) eu sou uma cozinheira medíocre e é bem capaz que eu estrague a massa ou queime tudo no forno. Então, acabo sempre não seguindo tanto a magia e compro tudo pronto mesmo. Se você é como eu ou só não tem tempo, a bolachinha que eu adoro chama Spekulatius. Parece mais nome de mágica do filme do Harry Potter, mas, na verdade, é uma bolachinha austríaca (ai, ficou meio confuso agora, mas essa coisa de culinária alemã e austríaca se misturam mais do que se possa imaginar) e leva amêndoas, canela e outras especiarias. O negócio é tão bom que até o Luiz, marido da outra Dani e a pessoa mais encrencada para comer do mundo, adorou. Ficam uma graça para dar de lembrança e podem ser encomendadas aqui em São Paulo com o pessoal do Sabor da Áustria, com quem outras delícias para a mesa da noite de Natal também podem ser compradas. Eu sugiro algumas: a Torta de Nozes, o Apfelstrudel (enrolado de massa folhada com recheio de maçã) e a Schokoladetorte (até quem não entende entendeu, né? Mas é uma torta de chocolate boa demais). Lá tem outras várias opções de comidas terminadas em "aumen", "irsch", "kuchen", "plaumen", "oulash" e, apesar dos nomes intimidadores, tudo é delicioso. Aproveite, porque arrumar a festa é uma parte gostosa. Feliz preparação para o Natal!!!! (Dani Krause)

(11) 5541-8004

PRATICIDADE SABOROSA

Eu ainda não tenho filhos, mas tenho quatro sobrinhos maravilhosos com quem ando treinando bastante nos últimos anos. Aprender, com as experiências dos outros, sobre o que é bom e o que não dá tão certo assim é um ótimo treino para quem está em fase de preparação para a chegada do seu próprio pimpolho. Aprendi, por exemplo, que as fáceis e famosas papinhas industrializadas adoradas por mães do mundo todo, ainda mais as paulistanas workaholics, não são tão adoradas assim pelas crianças. O que é absolutamente compreensível já que quem se dignou a provar aquilo percebe facilmente o gosto de meleca de nada que tem. Nas primeiras vezes, é colocar na boca da criança pra ela “blurgh” pra fora. Depois, a criança até se acostuma e, com a fome, manda ver, mas é completamente diferente do prazer que ela demonstra sentir quando come uma comida feita em casa, com um pouco de tempero e sal. Pensando nisso, uma mamãe de visão abriu em Moema o Empório da Papinha. É uma loja de comidinhas prontas para crianças entre 4 meses e 3 anos feitas só com alimentos orgânicos e em combinações saborosas e temperadas na medida. Vai de papinhas a sopas e risotos. E eles fazem entregas das encomendas numa bolsa términa muito útil. Claro que toda essa qualidade e praticidade têm seu preço (acréscimo de uns 20% no preço das papinhas industrializadas normais), mas acho que vale a pena pagar um pouco mais e ter a certeza de que a hora da alimentação seja um momento prático para a mãe e muito prazeroso para os pequenos. Afinal, criança não é boba e sabe desde cedo o que é bom! (Dani Krause)


Av. Açocê, 648 - Moema - 5051-4343

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

SEXTA À NOITE NA CIDADE

Sexta-feira passada tive uma noite bem paulistana. Saí da Ed. Abril quase 21h, peguei um táxi que me deixou no metrô Vila Madalena e, de lá, segui até a estação Consolação. O burburinho já era grande na Av. Paulista entre casais hetero e muitos homossexuais, malabaristas, tocadores de violino e, claro, meninos vendendo doces. Fui até o Center 3 onde me encontrei com meu marido. Queríamos assistir à estreia de 2012 mas, pelo horário, optamos pela comédia argentina "Um Namorado para Minha Esposa". Bem fraco, por sinal. Ao sair, fome e a pergunta de sempre: o que e onde vamos comer? Quando estamos com amigos (Dani Krause sabe do que falo) o destino é quase sempre o mesmo: o La Villete, na Praça Vilaboim. Sexta pensamos em aproveitar a noite quente e o agito da Avenida e andar até a Bella Paulista, padoca chique na Haddock Lobo. Impossível. Era quase meia-noite e havia fila de espera para conseguir uma mesa. Não pensamos nem em comprar pão pois tinha gente demais lá dentro. (Padocas paulistanas rendem um outro post e até um ranking!) Foi aí que lembramos do Frevo, um lugar já antigo na Rua Augusta, com mesas de madeira, cadeiras vermelhas e garçons de gravata borboleta. Parece que você está numa lanchonete dos anos 60 (foi aberta em 1956 na Rua Oscar Freire) com frascos de mostarda e catchup daqueles amarelo e vermelho nas mesinhas. Tudo bem simples e prático. A casa tem pratos fartos mas é famosa pelos beirutes. Pedi o tradicional, o chamado Beiruth mesmo, de rosbife. Excelente. Havia bastante gente e de idade variada: de jovens dos seus 18, 20 anos, casais de namorados e pessoas mais velhas. Preciso falar também das belas pinturas do Fulvio Pennacchi (parente do marido) que enfeitam a entrada do local. Morando tão perto dali e freqüentando tanto os cinemas do Center 3, nós apenas nos perguntamos: como não descobrimos esse lugar antes? Coisa de paulistano! (Dani Diniz)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A DOIS PASSOS DO PARAÍSO

Acho que já contei aqui que, há alguns anos, morei na Vila Mariana e trabalhei no Paraíso. É, já contei. Mas não contei que além de todas as conveniências de morar perto do trabalho, havia a graça de trabalhar num bairro ótimo como o Paraíso. Porque ali é uma delícia para caminhar, é pertinho do shopping, do metrô e tem ótimos restaurantes onde almoçávamos todos os dias em galera. Eu adoro almoçar em galera. Dá trabalho pra encontrar mesa, a gente pega mais fila, mas é muito mais divertido. Hoje fiz um flashback desses tempos. Passei ali na Rua Coronel Oscar Porto com a minha mãe, não resisti e tive de parar para almoçar no Tenda do Nilo. O restaurante é pequenininho, mas tem, juro, uma das melhores comidas árabes da cidade. Quando eu e o pessoal do escritório frequentávamos ali, as irmãs Xmune e Olinda, donas do lugar, serviam pratos conforme o dia da semana e, claro, as esfihas, kibes e kaftas. Hoje, o cardápio está fixo e mais completo, com umas novidades interessantes. Como o Fatte, uma mistura crocante de pão árabe torrado, carne, grão-de-bico, coalhada fresca, castanhas de caju e alho frito, que eu vi o pessoal da mesa ao lado aproveitando e comentando sobre o “sabor incomparável”. Parecia que a novidade do prato era tanta e tão positiva que causava uma certa alegria nas pessoas que comiam. Tem também o prato de trigo com costela de boi desfiada, que tem um perfume adocicado impressionante e um sabor que encantava um senhor italiano bonachão que não parava de falar "Hummm... buono” atrás da minha mesa. Mas hoje quis mesmo rememorar os clássicos do lugar. Pedimos um kibe e a mamãe quis colocar limão na parte dela antes de comer e foi imediata e gentilmente advertida pela atendente (filha de uma das donas) que aquilo “era uma exceção” por ser a primeira vez dela lá, mas que kibe de verdade como aquele se comia puro, “muito menos com limão!”. Mamãe ficou meio contrariada mas concordou. Eu achei graça, porque, realmente, o kibe considerado o melhor da cidade deve mesmo ser provado sem mais nada. Para mim, os pontos fortes mesmo são as esfihas do Tenda do Nilo, feitas pela Olinda na sua casa, sem deixar escapar nenhum detalhe (mesmo tamanho, quantidade exata de recheio etc.), fazendo jus ao seu confesso complexo de perfeição. Deve ser por isso que as esfihas de lá já foram premiadas e comentadas em inúmeros artigos de gastronomia. A massa é fininha e crocante porque não ficam o dia todo na estufa, são aquecidas só na hora de servir e em forno elétrico. E os recheios então? O de carne tem um gostinho de canela ou até outras especiarias (eu nem pergunto porque curto o mistério) e o de ricota é muito bem temperado, deixando um gostinho ótimo que fica ali na boca de lembrança mesmo alguns minutos depois de comer. Como hoje a ajudante tinha faltado, a Xmune, que é a dona e cozinheira amorosa do lugar, estava sobrecarregada na cozinha minúscula do Tenda. É outro mistério como ela consegue fazer tanta comida deliciosa naquele espaço tico, mas o fato é que de lá sai, a todo momento, mais uma gostosura para encantar os clientes, sempre muito bem tratados. Aliás, eu acho fofo o bordão delas: “Habib, seja super bem-vinda!”... hehe. Como hoje não é quinta-feira e eu não pude pedir o Chauerma, que é o kebab de lá e que, inclusive, me faz lembrar muito a Claudinha Kronka, que também adora o prato, chegou meu sanduíche de kafta com homus. Não matei, fuzilei a fome e a saudade daquela comida. Para terminar com chave de ouro (e para justificar ficar sem comer até amanhã), eu e a mamãe dividimos uma sobremesa criada no Tenda do Nilo e que foi premiada pela Revista Paladar como a melhor sobremesa de São Paulo: a Mil e Uma Noites. Só o preço achei meio alto (R$19,00 cada), mas como são necessárias duas pessoas para conseguir comer, então, vale. É um bolo de semolina coberto com um creme de nata e pistaches com calda de água perfumada de rosas. O nome e o sabor são tão sugestivos que dali mesmo do bairro do Paraíso fomos remetidas a um outro mundo... de desertos, oásis, palácios, Sheiks e princesas contadoras de histórias. Está certo, eu posso não ser uma princesa, mas adoro contar aqui essas minhas histórias... (Dani Krause)


Tenda do Nilo
Rua Coronel Oscar Porto, 638 (bem na esquina com a Rua Abílio Soares)
Só aceitam dinheiro e Visa débito, nenhum cartão de crédito nem cheque.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

JAZZ NA BOÊMIA VILA MADALENA

Quinta-feira passada fui a um bar diferente na Vila Madalena, famosa por seus botecos com mesas na calçada. Chama-se MADELEINE e fica na Rua Aspicuelta, entre a Harmonia e a Girassol. O lugar é bonito, bem decorado com móveis em madeira de demolição e iluminado apenas com luz de velas vermelhas. No chão, nas mesas, nas escadas. Um lustre enorme – que me fez lembrar o lustre do Fantasma da Ópera – também só ilumina com suas velinhas vermelhas. O resultado é um local charmoso, aconchegante e, claro, escuro. Para olhar o irreverente cardápio, a ajuda da laterninha é providencial. Há pizzas de formatos e sabores diferentes, crostatas, saladas com folhas, queijo coalho e melaço e pratos como uma polenta mole com almeirão e linguiça que deixei para a próxima vez que pisar lá. O melhor do local, no entanto, não é a comida. De terça a domingo, às 21h30 três músicos tocam jazz perto do bar, uma parte improvisada como palco, com cortinas vermelhas abertas na janela – para quem quiser ver e ouvir do lado de fora. O som é bom e muito agradável. Foge do estilo MPB também típico dos botecos da Vila. Às quintas-feiras, destaque para o músico Daniel Daiben, que comenta jazz na Rádio Eldorado, no Programa Sala dos Professores. É, depois dos 30, a gente treina o ouvido e começa a gostar mais de clássicos, jazz, blues... essas coisas que quando tínhamos 20 chamávamos de música de tiozão. Para quem gosta do ritmo, vale a pena conferir. (Dani Diniz)


Madeleine
Rua Aspicuelta, 201 - Tel.: (11) 2936-0616
Couvert Artístico: 15 reais

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

FELIZ ANIVERSÁRIO!

Eu nem bem me recuperei de fazer 30 anos e a sombra amedrontadora de dentes afiados dos 40 já começa a rondar. Outro dia uma das minhas cunhadas completou 40 anos. É praticamente inacreditável que ela tenha essa idade porque não tem nem cara, nem corpo e nem jeito do que eu, lá pela adolescência, achava que deveria ser uma mulher de quarenta anos. E graças a Deus!!! É um alívio e uma inspiração, porque há esperança depois dos “enta” (hehe)! Estou falando esse monte de coisas porque, claro, fazer 40 anos é um acontecimento e merece uma boa comemoração. E teve. Fomos jantar no atualmente chamado Gardênia Restô. É a versão renovada do antigo Café Gardênia, onde eu almoçava quando ainda era solteira e depois tirava as tardes de sábado para ficar horas na FNAC da Praça dos Omaguás. Ali é bem o coração de Pinheiros e ainda tem uma feirinha de quadros e artesanato na praça. O lugar sempre foi bonitinho e frequentado por gente descolada, mas, agora, ficou muito mais interessante depois de uma reforma e mudanças no cardápio e no layout. Hoje é o Gardênia Restô, que tem uma filial bacana também na Al. Gabriel Monteiro da Silva. O clima ficou muito mais intimista e aconchegante, com velas, luz âmbar, espelhos e uma aprovada seleção musical. É um lugar também para idas a dois. O importante é dizer que o menu agora é algo sim a se comentar, tendo como destaque a carne de cordeiro, que é suculenta, bem feita e apresentada com acompanhamentos diferentes como o couscous marroquino com abobrinhas e amêndoas. Para acompanhar a paleta de cordeiro, o marido pediu batatas gratinadas com queijo gruyère e não se arrependeu. Eu comi ravioli de cordeiro porque continuo viciada numa massa, mas fiquei bem morrendo de vontade de provar o carré em crosta de parmesão com purê de mandioquinha. Sugestões deliciosas no cardápio não faltam para nenhum tipo de gosto ou opção alimentar, até para vegans. Ah, vale dizer que provei ali a melhor caipiroska de frutas vermelhas dos últimos tempos (finalmente uma que vale o quanto custa). Brindamos, rimos com histórias e aventuras dos anos que minha cunhada passou na Revista Caras e na ed. Abril e foi uma comemoração elegante e discreta como ela. Passamos uma noite muito agradável por ali, bem à altura de felizes e bem vividos 40 anos. Que venham os meus... (Dani Krause)

Gardênia Restô
Praça dos Omaguás, 110 - Pinheiros

PS: Envio das fotos prometido e cumprido. Valeu, cunhado!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

DIA DE JOGO NO PACAEMBU




Fui convidado pra escrever um pouco sobre uma paixão paulistana, o Pacaembu, e sobre uma paixão nacional, todo mundo sabe, Futebol. Aconteceu que o Grêmio, meu time, veio lá do Rio Grande do Sul jogar em Sampa contra o Corinthians num sábado nublado e friorento. Sou gaúcho e louco pelo Grêmio. A Dani Krause, que é minha mulher, é paulistana e torce pro Corinthians (torce meio de berço, porque, depois de casada, ela virou gremista com certeza!). E assim partimos de casa, eu cheio de esperança na vitória e ela dividida. Ir a um jogo de futebol sempre exige certo espírito aventureiro. Nunca se sabe bem o que e quem você vai encontrar. Munidos de umas capas de chuva meio ridículas porque têm “Paris” escrito nas costas (foi o que deu pra arrumar), lá fomos nós, com algumas horas de antecedência. Precavido que sou, comprei os ingressos antes pela internet e qual não foi minha surpresa ao sermos informados ao chegar ao estádio que teríamos de enfrentar uma fila de uns 70 metros pra retirar o ingresso, junto com a galera toda que compra ingresso normal. Resignados, só ficamos pensando que a vantagem era nenhuma em pagar a “taxa de conveniência” nas compras pela internet. Porém, depois de uma hora congelando na fila, a moça no guichê nos disse que não precisávamos ter pego a fila e que era só ter ido direto ao guichê. “Ótimo, só nos avisam agora.” E isso que perguntamos a dois “organizadores” de colete amarelo e crachá do Corinthians, se realmente precisávamos pegar aquela fila pra somente retirar os ingressos. Enfim, pegamos os ingressos e saímos fulos da vida. Passamos ao lado da fila, reclamando alto. “Que absurdo! Palhaçada!” – disse a Dani. E eu, indignado, disse: “Pois é, e aqueles carinhas ali de amarelo são do Corinthians. São do Corinthians!”. E a Dani: “Ah, bando de jumentos!”. E, claro, as últimas duas frases, inadvertidamente, saíram em alto e bom som. A Dani não notou, mas percebi os olhares pouco amistosos do pessoal “gente boa” da fila. Caramba, que mancada! Tratei de apressar nossa saída de lá. Passamos pelo final da famosa feira do Pacaembu que rola todos os sábados de manhã e que, inclusive, é uma boa pedida pra provar o típico pastel da Barraca do Zé (de qualquer sabor é delicioso). É um verdadeiro clássico paulistano. Resolvemos pegar o carro e deixá-lo no Shopping Higienópolis, não muito longe dali, almoçar e depois seguir à pé para o estádio. A Dani é meio cheia de coisa pra comer, então almoçamos num lugar legal de comida natureba chamado Bio Alternativa, na Rua Maranhão em Higienópolis. O buffet tem uns pratos bem diferentes e, enquanto eu comia um chique bolinho de polvilho com trigo sarraceno e queijo cottage e bebia suco de abacaxi com hortelã, fiquei pensando: “Pô, o cara atrás de mim na fila, com a camisa da Gaviões, agora provavelmente tá mandando ver um sanduíche de pernil com Ki-suco de laranja na frente do estádio... Que inveja!”. Tomamos o rumo do Pacaembu. Como chegamos cedo, não tivemos problemas pra entrar. Aliás, isso é uma coisa que melhorou bastante. Lembro que há uns 10, 15 anos, comprar ingresso e entrar no estádio era muito pior. Não havia filas organizadas e o tumulto era frequente. Hoje em dia pelo menos tem uma certa organização. Não é uma beleza, mas perto do que era... É claro que, na numerada, onde ficamos, você nunca se senta no número impresso no ingresso (nem sei por que chama numerada), mas faz parte do protocolo. Bom, sentamos mais ou menos no meio da “numerada”, com uma boa visão do gramado e pudemos apreciar como o Pacaembu (que em Tupi-Guarani quer dizer: terras alagadas) é um lugar legal: a construção charmosa, inaugurada solenemente em 1940, é uma bela obra arquitetônica ali encravada no vale do bairro, a torcida fica relativamente perto do campo e, em qualquer lugar do estádio, é possível ter uma boa visão do jogo. Ficamos imaginando aquilo com a concha acústica na sua construção original recebendo a Copa de 50! Devia ser ainda mais bonito. Outra coisa muito legal ali e que merece ser visitada é o Museu do Futebol. Já fomos e adoramos. E não são só os apaixonados pela bola que curtem. É um programa que recomendo para toda a família, para saber, de uma forma bem interativa, como é que surgiu esse amor do brasileiro pelo futebol, algo que faz parte definitiva da nossa cultura. Enfim (eu também tenho mania de falar “enfim”), acomodados nos nossos assentos, infiltrados na torcida do Corinthians (porque o lugar era melhor, claro), esperamos pelo início do jogo, observando os vendedores ambulantes (outra diferença em relação ao passado: todos eles são regularizados). Há churros de doce de leite, chocolates meio derretidos, pipoca fria, amendoim, refrigerante, água e cerveja sem álcool. E eu me lembrei com saudade de ir criança com meu avô ao estádio lá no Sul... O jogo começou quente, apesar do vento frio. Ronaldo em campo, promessa de espetáculo. Mas justo contra o Grêmio? Sacanagem. Pois foi no segundo toque dele na bola... De fora da área, chute de esquerda, desvio no zagueiro, frango do goleiro e bola na rede: 1 x 0. Droga! A Dani comemorando comedidamente para não me chatear muito e eu disfarçando: “êeee”, fingido ser o que não era pra não passar apuro com a galera corinthiana. Vamo lá! Pouco depois, bola no Ronaldo de novo, tabelinha, passe na esquerda, sem impedimento, cruzamento e... gol do Corinthians: 2 x 0. Era só a metade do primeiro tempo. Arghhh! A pior parte mesmo era ter de levantar e esboçar uma comemoração, pra não dar bandeira. Depois disso, fiquei mais quieto. A Dani sabe que, quando estou quieto demais, é porque estou bravo. Pô, o cara é gordo, tem o joelho bichado e joga mais que todos os outros 21 jogadores em campo? Minha vontade era de gritar pro técnico paradão do Grêmio fazer alguma coisa. Mas tive de me controlar. Segundo tempo. Ânimo. Se o Grêmio fizesse um golzinho o jogo pelo menos ia voltar a ter um pouco de graça. Dito e feito: cruzamento da direita e gol de cabeça do Grêmio. Putz, apertei forte a mão da Dani do meu lado pra não gritar e engoli o GOOOOOL. O frio e o vento ajudaram, porque eu pude comemorar um pouco encolhido na cadeira e embaixo do capuz do meu moleton. Pronto... Ainda tinha mais meia hora de jogo. Tempo suficiente pra empatar. Uns quinze minutos depois, lance do Grêmio na entrada da área, passe pro meio, atacante no chão, apito do juiz. Não me segurei. Levantei e gritei: “Pênalti!”. A Dani me puxou e, de soslaio, observei as cabeças se virando na minha direção. Olhares indignados. Fui salvo pelo juiz, que tinha apitado “perigo de gol” (ou seja, inventou um impedimento inexistente contra o Grêmio) e, numa reação rápida, mas pouco espontânea, eu disse: “Ufa! Ainda bem que não foi pênalti!”. Soou muito falso, mas os incautos morderam a isca, animados pelo erro do juiz. O jogo seguiu morno até o apito final. 2 x 1, derrota do meu time. Não se pode ganhar sempre... Mas apesar de tudo, valeu muito o passeio. Mesmo porque, para mim, ver futebol no Pacaembu justificaria assistir até XV de Jaú contra Bandeirante de Birigui! (Marcos Krause).



Estádio do Pacaembu
portal.prefeitura.sp.gov.br/secretarias/esportes/pacaembu
Praça Charles Miller, s/nº

Barraca de Pastel do Zé
Praça Charles Miller, s/nº - Feira do Pacaembu
Quintas e sábados das 6h às 15h

Restaurante Bio Alternativa
www.bioalternativa.com.br/restaurante/index.htm
Rua Maranhão, 812


Museu do Futebol
www.museudofutebol.org.br
Praça Charles Miller, s/nº Estádio do Pacaembu

CONVIDADOS ESPECIAIS NO BLOG

Nosso blog ainda é filhote, não tem nem um ano, mas estamos iniciando uma nova fase, uma cara nova. Como várias pessoas sabem tanto ou mais do que nós sobre São Paulo, resolvemos abrir um espaço aqui para "textos visitantes". Isso mesmo! Vez ou outra publicaremos um texto de um convidado especial, que vai contar suas experiências, impressões pessoais e dar dicas sobre como pode ser muito bacana viver nessa megalópole alucinada que nós amamos tanto. Nosso primeiro convidado, só para ser bem puxa-saco mesmo, vai ser "O Marido", sobre quem eu falo direto aqui e que vive me acompanhando pelos passeios na cidade. O Marcos, que também é Krause, claro, é um gaúcho bem paulistano e fanático por futebol. Só podia dar nisso aí... (Dani Krause)

sábado, 24 de outubro de 2009

PASSEIO PELA TEODORO SAMPAIO

Em algum 25 de janeiro (data em que comemoramos aniversário de São Paulo) eu li uma página no jornal que destacava várias coisas típicas do paulistano. Era uma propaganda – não lembro se do Itaú ou Pão de Açúcar. Entres as “paulistanices” estava escrito algo do gênero: paulistano adora babar nos móveis da Rua Gabriel Monteiro da Silva, mas acaba comprando mesmo na Rua Teodoro Sampaio. Admirar os móveis da Gabriel eu faço sempre que passo por aquela rua. Sair para comprar algo – de fato – foi o que fiz no domingo, com meus pais e minha irmã. E foi, claro, na Teodoro Sampaio, a rua que começa ali perto do Largo da Batata (um dia a gente fala dele também) e termina lá em cima, na Doutor Arnaldo. Dominada por lojas de móveis, a Teodoro é o endereço do paulistano que está montando ou renovando a casa. E há também quem goste apenas de passear, olhando o que tem de novo nas vitrines (que era o meu caso). A intenção dos meus pais era ver preço, a da minha irmã era comprar uma mesa de canto. A minha? Só observar. Passamos pela ala das cozinhas, dos sofás, das mesas . A maioria da lojas vende um pouco de tudo, com suas atendentes e calculadoras dividindo tudo em parcelas infinitas ou oferecendo descontos para pagamento à vista. Há algumas lojas mais focadas: de quartos de bebês e cozinhas. E há também as muiiiiiiiiiito focadas, que só vendem prateleiras, por exemplo. No domingo, grande parte das lojas fecha às 19h. Tempo suficiente para entrarmos em umas dez lojas, compararmos preços e, claro, comprarmos a mesinha da minha irmã. Se a casa estiver precisando de uma renvada, vale pesquisar por lá também. (Dani Diniz)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

10 COISAS QUE AMO EM SÃO PAULO

Já que é para voltar, que seja em grande estilo para que vocês se animem e pensem também naquilo que São Paulo mais oferece de maravilhoso. Troquei mensagens rapidamente com a Dani Krause agora sobre a volta do blog e a ideia de listar aqui as 10 coisas que mais adoro em São Paulo surgiu naturalmente. Segue a minha caprichada listinha. Aguardo a de vocês. (Dani Diniz)

1) Andar pela Paulista numa tarde de férias. A-dor-ro gastar a sola do sapato de uma ponta a outra da Paulista com paradas obrigatórias nas Livrarias Martins Fontes, Fnac e Cultura. Pausa para o café no Fran’s perto da Brigadeiro ou no Café do Ponto no andar de baixo do Center 3. Espiar o burburinho do Conjunto Nacional e observar o movimento das bancas de revistas também fazem parte da rota.
2) O bairro onde moro: Higienópolis. Charmoso, arborizado, cheio de cachorros e sabiás e a um passo do centro. Higienópolis tem tudo ao alcance e jeitão de bairro mesmo. Ótimos restaurantes, um shopping bem completo, uma padaria incrível, as praças Buenos Aires e Vilaboim e quase todos os serviços ali pertinho.
3) Supermercados, farmácias, restaurantes, lanchonetes, bancas de revistas abertos 24 horas. Para alguém que vive sem horários e adora uma madrugada, serviços 24 horas são fundamentais.
4) A Pizza da 1900. Além de ter um valor sentimental (o primeiro jantar com meu marido aconteceu na 1900 da Rua Estado de Israel) eu adoro aquela pizza. A massa não é nem grossa nem fina, ingredientes na medida certa e o atendimento sempre foi espetacular.
5) O luxo dos Jardins. Andar pela Lorena, Oscar Freire, Hadock Lobo e olhar as vitrines de suas lojas chiquérrimas. Pausa obrigatória para o café na Livraria da Vila.
6) A Vila Madalena. Confusa, com seus sobes e desces, a Vila ferve. Os bares, as lojinhas alternativas e a “muvuca cool” sempre agradam.
7) A Sala São Paulo. Linda e sempre palco de excelentes apresentações.
8) O passeio 2 em 1: Museu da Língua Portuguesa + Pinacoteca do Estado. São Paulo também é cultura.
9) O Mercado Municipal – um clichê da cidade, passar no Mercadão para abastecer a ceia de ano novo virou quase um ritual. Comer o pastel de bacalhau também.
10) Feriado. Quer coisa melhor do que fazer tudo isso aí em cima num dia sem trânsito? São Paulo no feriado não tem preço.

VAMOS ADOÇAR O MUNDO!

Hoje eu quero falar de uma coisa que eu adoro – doces – e de uma pessoa que eu adoro – a Flavinha. Eu conheci a Flávia por causa da Tiz, que é uma amiga que conhece todas as pessoas mais legais e descoladas da vida, seja em São Paulo, no Timor Leste, em Paris, no Marrocos ou na Índia. Você conhece alguém que é convidado para casamentos no Marrocos e na Índia? Não? Pois é, a Tiz é convidada direto pra esse tipo de evento. Ela não é o máximo? É sim!
Então, voltando (hoje está difícil), há 3 anos a Tiz teve uma ideia fofa, junto com outras amigas, de me darem um bolo de aniversário especial. Eu faço aniversário em junho e ia cair bem próximo da Festa Junina do nosso grupo (tá, eu sei, que é ridículo, mas a gente ainda faz festa junina e somos felizes assim, ok?) e, naquele ano (o ano que eu casei de verdade), eu ia pagar o mico master de ser a noiva junina e fazer aquela palhaçada toda do noivo fugitivo, do pai maluco e da espingarda de mentira. Aí elas decidiram que iam mandar fazer um bolo de aniversário com dois noivinhos em cima que pareciam mesmo comigo e com o marido, mas ambientados em clima junino total. Olha o bolo aí na foto. Ficou a coisa mais linda e, claro, eu chorei feito uma desesperada com a surpresa porque, não parece, mas eu sou sensível. Quando comemos o bolo descobrimos que, além de lindo, ele era delicioso e eu quis logo saber quem era a artista que tinha feito aquela maravilha (porque tem que ser muito artista pra fazer aquilo).
No caso, era a Flávia Ribeiro de Andrada e Silva (olha que ela é uma Andrada e Silva de verdade, descendente do José Bonifácio e tudo). A Flavinha, que é como eu folgadamente a chamo agora, é a chef boleira, doceira, fazedora de bem casados, cupcakes, biscoitos, doces e de todas as gostosuras mais gostosas da face da terra que eu conheço e ainda é querida, educada, simpática e cumpridora de prazos. Não é o máximo? É sim! Ela faz coisas muito lindas e deliciosas. Não, os bolos de aniversário, infantis, casamento, batizados, despedidas, chegadas e todos os demais que ela faz não têm aquele gosto de pasta americana esquisita que gruda a boca da gente por duas horas. Tudo o que ela faz fica realmente muito saboroso. E ela tem umas ideias ótimas de decoração, personalização e é super caprichosa nos enfeites. Algumas coisas são tão criativas e diferentes que podem ser dadas de presente também, no Natal, na Páscoa, no Dia dos Namorados ou no dia que te der na cabeça dar um presente legal pra alguém especial.
Pra terem mais ideia do trabalho dela, no meu aniversário deste ano ela fez um bolo especial pra mim inspirado no filme “De repente trinta” (sabe aquele que toda mulher nessa faixa etária já viu umas quatro vezes? Esse) e todo mundo adorou na festa, o que rendeu frutos para outro aniversário de amiga, também trintona, que fez um evento meio trash-anos80 e escolheu um bolo em formato de vitrola que ficou muito bacana! Então, hoje, que eu estou toda meiga e docinha (o que é praticamente um milagre), eu quero dar essa dica pra vocês, a empresa da Flávia, a Zuccheria, que tem um nome muito apropriado, porque se tem uma coisa que ela sabe fazer nessa vida é sair por aí adoçando o mundo! No próximo evento, chame correndo. (Dani Krause)
www.zuccheria.com.br
www.flaviaribeiroandrada.blogspot.com

A VOLTA DAS QUE NÃO FORAM ou O ATAQUE DE BREGUICE

"Minhas malas coloquei no chão, eu voltei / Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou / Acho que só eu mesmo mudei, eu voltei / Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar / Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei... larara la ra la ra la ra”. Ai, que nervo que me dão esses meus ataques de Roberto Carlos! Outro dia eu conto como uma vizinha apaixonada pelo Roberto Carlos pode te traumatizar pela eternidade. Voltando...
Cruzes, quase três infindáveis meses sem escrever. Por favor, nos perdoem, pelo menos a mim, porque passei por uma fase de reabilitação do meu espírito indômito. Precisei mesmo, até porque, às vezes, a vida é aquela professora sacana que manda uma prova inteira só com aquela matéria que ela jurou que não ia cair, sabe? Mas, como eu digo sempre, enfim... Enfim, nós de novo por aqui. (Dani Krause)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

SÃO PAULO ENGORDA

Cheguei a conclusão acima ontem à noite e pude comprová-la hoje, no final do almoço. Nesta semana, em especial, estou almoçando e jantando muito fora. E isso – em São Paulo – é um verdadeiro perigo. Segunda-feira, fui almoçar no Chácara Santa Cecília, aqui perto da Abril. O restaurante fica num lugar lindo , numa antiga Chácara que preserva boa parte de verde. A Abril em peso adora almoçar lá porque é perto, é bonito e é, digamos, gostosinho. Durante o dia funciona como restaurante mesmo, com Buffet de saladas, pratos quentes e sobremesa a um preço fixo. À noite, vira balada (e lotada). Terça-feira foi dia de almoçar no Ráscal com duas amigas. Como já escrito pela Dani Krause, lá (embora meu marido adora dizer que não vale o custo x benefício) é uma perdição para quem quer se manter na linha. Você se acaba de comer no Buffet e depois, na onda do “já que estou aqui”, não tem como escapar de pegar uma massinha. Ontem à noite, combinei um jantar com Gláucia, uma amiga de mais de 15 anos. Ela escolheu um restaurante ao lado de sua casa – na Cônego Eugenio Leite, em Pinheiros, o Vinheria Percussi. Resumo da noite: conversa agradável, lugar lindo e prato delicioso. Comi um risoto de bacalhau, com azeitonas verdes, tomates frescos e pinoli. Sensacional! Tirando o couvert, é claro. Pagar 6 reais para comer pão frio com manteiga não dá. Nesse ponto, fico no custo x benefício e da próxima vez vou pular essa parte. Para terminar, acabo de voltar de mais um almoço fora, com uma fonte bem bacana. Fui no Pobre Juan, na Vila Olímpia. Argentino em tudo: nas carnes maravilhosas, no tango eletrônico ambiente, no crepe de doce de leite da sobremesa (esse eu só espiei). O local é muito agradável, a música é ótima e a comida, saborosa. Pedimos empanadas de entrada e optamos pelo menu completo: escolha de uma carne,que já vem com um acompanhamento a escolher, batatas (daquelas que parecem ter vento dentro e crocantes por fora) e ainda uma tigela de salada básica e gostosa. Sem dúvida, esse é um lugar que recomendo muito e devo voltar em breve. Espero ir numa sexta-feira já que disseram que rola um tango por lá às noites. Perfeito. Enfim, hoje é quinta-feira e se eu seguir nesse ritmo até o final de semana preciso fugir de qualquer balança que aparecer na minha frente! (Dani Diniz)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PARA COMER A QUALQUER HORA

Conheci o Joakin’s no começo do namoro com meu marido (lá pelo final da década de 90). Gostei de cara. Localizado na Joaquim Floriano, miolinho do Itaim, o vulgo JOKA é um clássico da noite paulistana. Funciona desde 1965 e mantém muitos dos seus garçons desde o início. Não só os garçons, mas os clientes também. É possível ver gente de todas as idades com a senha nas mãos, esperando uma mesa para se deliciar com um cheese salada e um milk shake. Há famílias em busca de mesões, casais de namorados ou bando de amigos que saem das baladas e vão reabastecer a energia por lá. Afinal, as portas da casa estão abertas até às 5 da manhã (de segunda à quinta) e até às 6h (de sexta e sábado). Os sanduíches são ótimos (tanto os prontos, quanto os que podemos montar), os beirutes são fartos e o milk shake, na minha opinião, é o melhor de São Paulo. E, para quem preferir uma coisa natureba, também tem pratos, omeletes e sucos naturais. Pra ser bem sincera, porém, ir para lá e não provar o milk shake é um pecado. Não sou de tomar muito milk shake (afinal, calorias aleatórias não combinam para quem passou dos 30) mas quarta-feira, dia 08 de julho, véspera de feriado paulista, não tive dúvida e fui para o Joca. Esperei uns dez minutos com a senha nas mãos e, com água na boca, fiz meu pedido. Um cheese calabresa e, claro, um milk shake de coco. O serviço foi ótimo, foi rápido (como costuma ser). Valeu a pena ter enfiado o pé na jaca. Se você não conhece ainda o Joakin’s perdeu um pedaço delicioso de São Paulo. (Dani Diniz)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

VIAGEM AO CENTRO DA (MINHA) TERRA

Sempre que viajamos para grandes cidades em outros países, saímos cedo, andamos muito (inclusive de metrô), tiramos muitas fotos, nos impressionamos com a arquitetura, com a história do lugar, achamos tudo lindo (até o que não é muito lindo) e voltamos à noite, exaustos e felizes. E foi exatamente isso o que fizemos ontem, só que por São Paulo mesmo. Aproveitamos o feriado para colocar um jeans, um tênis velho e sair por aí para bater perna e aproveitar o dia de sol que fez por aqui. Espírito de turista. A ideia inicial era só matar uma vontade louca de comer o delicioso pastel de bacalhau do Hocca Bar no Mercado Municipal, mas fizemos mais. Muito mais. Eu e o marido marcamos com o papai (o melhor e mais empolgado guia do Centro de São Paulo que eu conheço) para começarmos o dia tomando um café da manhã delicioso no Café Girondino, bem em frente à Igreja e ao Mosteiro de São Bento. Não me canso de ficar encantada sobre como o Girondino é charmoso e de como, abstraindo um pouco sobre os arredores, me faz sentir numa cidade européia, tomando aquele café gostoso e olhando a Igreja pela janela. Andando, seguimos pela Rua Boa Vista e encontramos edifícios maravilhosos de inspiração art nouveau, com vitrais encantadores, que deviam ficar escondidos atrás dos outdoors imensos que dominavam a cidade antes da bem-vinda Lei Cidade Limpa. Chegamos até a Rua XV de Novembro, vimos o prédio da Bovespa e do Banco do Brasil e chegamos até a Praça Antonio Prado, onde é possível encontrar uns quiosques de madeira com engraxataria, telefone público (escrito com ph) e até um coreto! Seguindo reto chegamos em frente ao primeiro arranha-céu da América Latina (30 andares), o Edifício Martinelli, que, apesar de deteriorado e tristemente pichado, ainda guarda o ar de glamour da década de 30, uma beleza arquitetônica indiscutível e com tanto para contar... como a existência de uma construção especial no 26º andar inspirada numa vila italiana, chamada Casa do Comendador, que funcionava como residência da família Martinelli, somente para provar ao povo, na época, de que o prédio era seguro. Ficamos imaginando que aquela construção combinaria perfeitamente em Nova York, onde, certamente, estaria mais conservada e custaria uma fortuna para manter um escritório. Deu até uma tristeza de pensar em como e quanto nosso povo não se preocupa com a preservação de sua história. Descendo um pouco mais, quase chegando na Líbero Badaró, avistamos a antiga sede dos Correios. Um belíssimo prédio. Voltamos até chegarmos à Praça do Patriarca. Uma equipe de filmagens fazia quase magia para que chovesse no meio da praça, mesmo sem uma única nuvem no céu. Reparamos nos detalhes do antigo Hotel Othon, no polêmico arco moderno que colocaram sobre a saída da primeira escada rolante do Brasil, a Residência Artística (onde a FAAP agora – ainda bem – mantém e preserva a história de pintores importantes do século XX que mantinham seus ateliês no local), o prédio da Prefeitura e seu jardim suspenso e, claro, o Viaduto do Chá. Não fomos até o outro lado do viaduto ver o Teatro Municipal e o Shopping Light porque queríamos tomar um café lá no Pátio do Colégio. Pegamos a Rua Direita e fomos até a Praça da Sé. Lá no meio, a imagem do Padre José de Anchieta abençoava a todos e parecia se lastimar pela situação das pessoas que perambulam por ali. Seguimos até o marco zero e o marido logo quis saber para que lado ficava seu amado Rio Grande Sul. Ah, a Catedral da Sé. Linda, grandiosa, robusta, receptiva e sem ser suntuosa demais, o que, a meu ver, combina muito mais com o que pelo menos eu acredito que sejam os princípios divinos. Além dos vitrais, adorei mesmo foi um anjo simples, esculpido na pedra que fica quase escondido numa capelinha lateral. Seguimos até o Pátio do Colégio e, ali, nunca canso de me impressionar com a arquitetura do antigo Tribunal de Alçada (e olha que eu já passei por lá nessa vida, hein!). O antigo escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo trabalhou muito na cidade no século passado e deixou sua marca de verdade. Dá pra identificar claramente no que eles colocaram as mãos. Do outro lado, no Museu Anchieta, fizemos uma descoberta maravilhosa. O Café do Páteo é um lugar agradabilíssimo dentro do que seria a réplica da antiga construção do Colégio dos Jesuítas (onde a cidade foi fundada em 1554) e depois tornou-se a sede da Presidência da Província de São Paulo, nos idos da colonização do Brasil. Que delícia aquele lugar arborizado, com mesinhas simpáticas, que serve de ótimo ponto de parada de turistas e passeadores locais (como nós!). Como não tinha entrado ali nunca (porque só passo correndo e morrendo de pressa), nos surpreendemos com o espaço. Pra melhorar, ainda é possível encontrar uma parede de taipas da época da colonização totalmente preservada dentro de um vidro e visitar o Museu Anchieta. Não é nada demais, mas tanta coisa vem à mente olhando aquilo. Como a vida devia ser difícil para o povo que veio habitar uma região até então inóspita e a situação dos índios locais invadidos e catequizados por uma cultura estranha. Quantos conflitos, abusos, boa e má fé fizeram parte da criação do nosso país... Descemos até a Rua 25 de Março que, mesmo sendo feriado e com 80% das lojas fechadas, estava bem cheia (qualquer dia falo mais da 25). Fomos até a Rua da Cantareira almoçar no Mercado Municipal. Esse sim estava lotado. Eu a-do-ro esse lugar. Os cheiros e as cores das frutas, os queijos maravilhosos que eu amo (só lá eu encontro o Rembrandt capa preta holandês!), os temperos perfumados (onde mais se acha marsala por aqui?) e, claro, o fantástico, estupendo e incomparável pastel de bacalhau do Hocca Bar. Nos acotovelamos um pouco, enfrentamos o mau humor alheio na busca de mesas, pegamos uma fila, mas nada nessa vida ia me impedir de saborear aquele pastel ontem. No final deu tudo certo, matei a vontade que estava me matando e almoçamos muito bem. Depois, puxando uma carga extra de energia das pernas do papai, subimos a Senador Queiróz e fomos lá em cimão no cruzamento mais famoso da cidade: Av. Ipiranga x Av. São João. Vimos como o Cine Marabá ficou lindo depois da reforma e ficamos felizes em ver como iniciativas de recuperação do centro da cidade podem dar muito certo, porque estava lotado! Acho que as pessoas estão cansadas de ficarem trancadas sob a falsa sensação de proteção dos shoppings centers. O povo quer mais é ir pra rua de novo! Viva! Terminamos o dia (que rendeu muito) tomando um cremoso chopp Black no Bar Brahma (até eu tomei!) e voltamos para o metrô Santa Cecília pelo Largo do Arouche (que, segundo o papai, já foi chiquérrimo). Ai, como eu adoro aquela escultura do Brecheret ao lado da linda banca de flores em frente ao restaurante Le Casserole. Fico imaginando uma cena romântica do homem saindo do restaurante e voltando com flores para sua amada numa noite especial. É claro que, como em todas as grandes cidades do mundo, em maior ou menor grau, existe poluição, medo, violência, aglomeração, sujeira, pobreza, falta de higiene, bêbados, pedintes, miseráveis, trombadinhas, trombadões e tantas outras coisas tristes. Mas ontem, só por ontem, resolvemos ver São Paulo de um outro jeito: exercitando as pernas e o olhar que só vê a beleza! Foi fantástico. Tente um dia desses. (Dani Krause)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CENÁRIOS PARA UMA VIDA MAIS FELIZ

É verdade... todos nós temos histórias para contar e, em algumas delas, foi o clima certo que fez toda a diferença. E não é que eu descobri um pessoal aqui em São Paulo que só cuida disso: criar um clima? A DeMeirelles é um misto de loja de decoração, galeria de arte e ateliê de artistas que cuidam de criar um cenário bacana para algum momento especial. Seja para uma festa de casamento monumental ou para um jantar a dois no seu apartamento, a Dedéia Meirelles e sua equipe cuidam dos detalhes para que seja um momento memorável. Para quem está cansado desses eventos sociais meio caretas e quiser contratá-los para criar uma cenografia diferente, tenha certeza de que será algo personalizado e de muito bom gosto. Além disso, todos os objetos de decoração estão à venda ou expostos para locação e são cheios de graça vintage ou meio rústicos e com um plus de engajamento social. Por exemplo, eles têm arranjos florais lindos feitos de retalhos de algodão e renda pela ONG Aldeia do Futuro. E, acredite, não se trata daqueles arranjos de gosto duvidoso de flores artificiais. Fora que toda a equipe é muito simpática e atenciosa. Daquele jeito bom que eu sempre falo aqui de nos fazer sentir em casa, sabe? Dei sorte de ter entrado no ateliê no dia da abertura das portas ao público. Na segunda passada (segundas-feiras viraram meus dias oficiais de ir ao Fórum de Pinheiros resolver as “buchas” e almoçar na Vila Madalena), estavam abrindo as portas e eu fui a primeira cliente deles. Depois de fuçar tudo e bater um papo ótimo, comprei um jogo americano feito de jornal colado e pintado em cores maravilhosas. Meu nome ficou até de aparecer lá no quadro de acontecimentos especiais, mas isso nem importa tanto, porque já senti um prazer imenso em visitá-los e ver tanta gente legal e coisas bonitas e coloridas. Deu até uma vontade meio louca de sair por aí enfeitando o mundo todo, mas resolvi começar só lá por casa mesmo: o cenário onde eu sou feliz todos os dias. (Dani Krause)
www.demeirelles.com.br
Rua Mourato Coelho, 1017 - Tel. 2645-4480
Fotos: Renato Ramalho: www.renatoramalho.com.br

quarta-feira, 17 de junho de 2009

PERUANDO (OU PECHINCHANDO) NOS JARDINS

Sábado fui passear nos Jardins com minha irmã. O dia estava bonito, o sol finalmente tinha aparecido e fomos sem muito destino. Não tínhamos muito tempo pois ela tinha um compromisso às 16h30 e acabamos chegando por lá meio tarde – mais de 12h30. Mas, nessas quatro horas, aproveitamos muito. Primeiro fomos a loja Capezio, na Augusta, pois ela queria comprar roupas de balé e ginástica. E aí começou a minha feliz surpresa. Se você pensa que Oscar Freire e arredores é apenas para dondocas e seus mini poodles na sacolinha que não sabem onde colocar tanto dinheiro, ledo engano. Comprei calça e top de ginástica muito mais barato do que qualquer loja do shopping. Valor dos dois? 60 reais! Andando na própria Oscar Freire entramos na Maria Bonita Extra – quase tudo em liquidação!! Com exceção das peças de seda, a loja estava dando 40% de desconto em quase tudo. Iria levar apenas uma jaqueta mas tinha me encantado por uma blusinha. Estava com 40%, mas mesmo assim, eu achei cara. A atendente não titubeou. Disse que seu eu pagasse a blusa no cheque me dava mais 10% de desconto – e tirou uns quebradinhos ainda. A jaqueta? Pude pagar no cartão de crédito (e, se quisesse, poderia até dividir). Saí de lá feliz e ainda comi os doces juninos que estavam oferecendo aos clientes. Seguindo, já com fome, paramos na Zion. Perguntando o preço de uma malha, a moça logo jogou: estamos com 20% de desconto à vista em qualquer peça até o final do dia! Se você perguntar em qualquer loja de shopping se tem desconto à vista vai ouvir um sonoro NÃO! No máximo, ganha 5% ou a chance de dividir em mil vezes no cartão. Feliz com as compras e com as negociações, segui pela Oscar. Linda, cheia de gente bonita e tudo ao ar livre (isso realmente não tem preço). Paramos para almoçar no Le Buteque, o mini bistrô de Erick Jacquin, na Haddock Lobo. Já tinha ido lá uma vez e gostei bastante das comidinhas . De cara, ele parece mais um café ou confeitaria com suas dezenas de docinhos perfeitos na vitrine. A comida é bem feita e se come, de fato, com os olhos: vêem em pequenas panelas de ferro maravilhosas. Saímos de lá satisfeitas e paramos ainda na Livraria da Vila, na Lorena, para arrematar a tarde com um cafezinho cultural. Foi um dia de peruices perfeito. E fica aqui a dica para quem não agüenta mais os shoppings abarrotados de São Paulo e suas lojas sem criatividade (e sem desconto!). (Dani Diniz)

www.capezio.com.br
www.mariabonitaextra.com.br
www.zionstore.com.br
www.livrariadavila.com.br
Le Buteque – Rua Haddock Lobo, 1416, Cerqueira Cesar

terça-feira, 9 de junho de 2009

DIA DOS NAMORADOS SABOROSO

Ontem passei em frente a uma casinha linda na Rua Mourato Coelho, com um coração enorme pintado e resolvi tocar a campainha e entrar. É a loja da Fernanda Ribeiro, já conhecida no mercado de bolachinhas decoradas. Além de ser muito simpática, ela faz umas bolachas deliciosas de vários formatos e desenhadas com glacê bem delicado e gostoso. Faz até eventos, ensinando a fazer as bolachas decoradas em festinhas infantis, chás ou reuniões descoladas. Achei bem interessante. Na loja tem bolachinhas de todos os tipos e formatos: flores em palitos, corações, motivos de bebês para maternidade, sapatos, bolsas, vestidos, marcas comerciais e, agora, para este Dia dos Namorados, ela inventou algo realmente novo. A primeira novidade é um conjuntinho de bolachas quadradas de baunilha com motivos vintages românticos que eu adorei. Olha que fofura na foto. Dá até pena de morder. A outra novidade é só para os mais atrevidinhos: uma linda caixa de coração com bolachinhas de especiarias afrodisíacas em formato de posições do Kama Sutra!! E o que poderia ser meio vulgar ficou super divertido. Muito diferente. Uma ideia para fugir dos tradicionais bombons de chocolate e ainda inspirar uma noite bem romântica para os apaixonados. Enjoy. (Dani Krause)
www.bolachasdecoradas.com.br
Rua Mourato Coelho, 1.134 - (11) 3815-3757





segunda-feira, 1 de junho de 2009

MÚSICA (BOA) PARA OS OUVIDOS

Sexta-feira foi dia de ir à Sala São Paulo, no centro paulistano. Linda, desde que foi reformada, vale a pena ir até lá só para se deslumbrar com a arquitetura. Mas quem gosta de música clássica vale ir para muito mais. Lembro uma vez um professor insuportável na faculdade que (para acabar com qualquer autoestima da classe) disse que após ler nossos textos, ele precisava se “purificar” nos livros de Machado de Assis. Claro que isso marcou. E sexta na Sala São Paulo, lembrei disso. A boa música purifica meus ouvidos. É como me livrar de tudo que está ao redor e só me prender ao som perfeito. Não sou entendida de música e não toco (infelizmente) nenhum instrumento. Mas gosto de ouvir e sou curiosa. Queria ver a performance (e o comportamento) do novo regente da Osesp, o francês Yan Pascal Tortelier e ouvir o também francês violoncelista Xavier Philips. O melhor da noite foi o solo de Philips, tocando, claro, Bach, meu preferido entre tantos gênios. Deslumbrante. O regente se mostrou bem empolgado em sua posição de líder. Pulava tanto que achei que iria cair. E tudo soou perfeito. Para concluir a noite paulistana, advinha? Pizza em casa. Afinal, estava tarde, estava frio e não dava para ouvir qualquer música de boteco depois da Sinfônica. Com todo respeito, é claro. Afinal, sou bem eclética. Consigo ouvir Bach por horas e também cantar todo o repertório do Roupa Nova! (Dani Diniz)

domingo, 31 de maio de 2009

TRIBO NATUREBA

Hoje quero dar uma dica de um lugar muito simples com uma comida natural muito boa. O restaurante chama Tribos Moema e fica na Rua Cotovia, 912. Praticamente todos os sábados estamos almoçando por ali (outra tradição que estamos criando). O esquema é de um buffet sem frescura e muito bem servido de saladas bem preparadas, massas integrais, peixes com molhos saborosos e carne vegetal em apresentações mais apetitosas do que o normal. As opções são excelentes e com um temperinho especial que não deixa a comida natural sem gosto. É realmente muito gostoso. Algumas sobremesas valem ser provadas, especialmente as mais simples, como a salada de frutas e a gelatina colorida (igual àquelas que as vovós faziam antigamente pra gente, sabe? Isso é que é memória emotiva...). Se a fome for grande demais, vale pagar o preço do buffet livre para comer à vontade, incluindo sobremesa, mas, em geral, dá pra ficar muito satisfeito com um prato só, que, pesando, sempre sai por menos do que o preço fixo. Gosto muito dos sucos naturais: nada de fruta congelada e podendo fazer a mistura que quiser. Enfim, um lugar muito “lá em casa”, com comida boa e preço justo. Uma boa sugestão é dar uma caminhada no Ibirapuera de manhã e depois passar por lá para um almoço mais leve. Comidinha natureba gostosa para não dar nenhum peso extra... na consciência. (Dani Krause)

sábado, 30 de maio de 2009

UMA NOITE BEM PAULISTANA

Ontem fomos fazer um programa tradicional que há alguns meses não fazíamos. Aproveitamos a noite fria e chuvosa de sexta-feira para jantar e ir ao cinema no shopping perto de casa. Acho que todo mundo acabou pensando a mesma coisa, porque estava bem lotado. Afinal, tem coisa mais típica de paulistano? Ainda bem que chegamos mais cedo e conseguimos uma mesinha no Ráscal sem pegar a fila de espera. Eles tem pizzas boas e ótimos vinhos, mas gostamos mesmo de lá porque o buffet revela-se uma excelente opção na relação custo x benefício. Além disso, o atendimento é sempre fantástico. Adoramos a mesa de antepastos e saladas variadas e fresquinhas: a rúcula baby, o cuscuz marroquino, saladas bem temperadas e diferentes, a quiche de verduras e muito mais. É comer pra se regalar mesmo. E, depois, ainda tem a ilha de massas e carnes. Normalmente eu como sempre a mesma coisa: ravióli Ráscal (massa verde recheada com mussarela de búfala) com molho de tomate fresco e polpetone. Ontem resolvi dar uma variada. Comi ravióli de pato com purê de maçã e, claro, um polpetone pequeno. Sempre tem alguma opção diferente, como cordeiro e uma massa especial. Delícia. Agora, delícia mesmo, quase uma dica imperdível, é a torta de goiabada Ralston com sorvete de creme. Maravilhosa. A torta de maçã clássica do restaurante, aquela grandona que parece com as tortas do desenho do Pica-Pau (lembra?), também é muito boa, mas eu ainda prefiro a de goiabada. As sobremesas são muito bem servidas e podem ser divididas. Felizes e de barriga cheia, fomos pegar um cineminha do circuito comercial mesmo. Nem sempre o filme agrada muito, mas para apaixonados pela telona, como eu e o marido, está sempre valendo. Ótimo jeito de começar o final de semana. (Dani Krause)
www.rascal.com.br

sexta-feira, 22 de maio de 2009

POR TRÁS DO CEMITÉRIO

A pedido da Anne, vamos lá falar de um outro canto de Higienópolis – a Rua Mato Grosso, bem atrás do cemitério da Consolação. Lá, toda sexta-feira tem feira. E das boas. Mas não é disso que vou falar e sim da quantidade de casinhas reformadas que viraram restaurantes charmosos e gostosos nos último anos. Fui no Anita (citado aqui pela Anne) logo após sua inauguração e a-do-rei! Pedi, claro, o galeto (que na época ficava exposto bem em frente ao restaurante, na calçada, no maior estilo televisão de cachorro) com batatinhas no alecrim. A tal televisão saiu da calçada (dizem que pela vigilância sanitária) mas o restaurante continua cheio. As paredes são muito bem decoradas, assim como as mesas, o estofado das poltronas e a louça. É possível comer, conversar e ao mesmo tempo assistir à chefe cozinhar numa espécie de vitrine no final do salão. A casa é pequena (e por isso lota fácil) e, como escrito pela Dani Krause, já funcionou como um bordel em décadas passadas. Para não ficar só no Anita, vamos falar de outras casinhas reformadas perto do Cemitério. O minúsculo Bar Higienópolis tem um bom atendimento mas um cardápio limitado. E, como o próprio nome diz, está mais para um boteco do que para restaurante. Fui lá na festa de aniversário de uma amiga e curti o espaço. Seguindo ainda pelo muro do cemitério, temos duas outras opções: uma ótima e outra (para meu paladar e senso crítico) péssima. O ótimo é o AK Delicatessen. O nome do restaurante são as siglas da premiada chef Andrea Kaufmann. O espaço – assim como o Anita – é fruto de uma reforma de uma das casinhas em frente ao cemitério. Pequeno, aconchegante, charmoso. Cardápio farto e bem feito, atendimento ótimo e um couvert muiiiiiiiiito bom. A péssima opção é o Antonieta. Não preciso repetir que a casinha também foi reformada e, sim, é muito bonitinha. A reforma ficou ótima, a decoração toda rosa é charmosa, os móveis à La casa de vovó também. Mas a comida......Demorou quase uma hora para chegar um spaghetti ao pomodoro. Sim, daqueles bem simplesinhos de fazer: molho básico de tomate e uma folhinhas de manjericão. Não lembro o preço mas achei tudo caro para algo tão caseiro (os outros pratos do cardápio não passavam do óbvio ululante da culinária italiana). Não sou nenhuma mestre cuca, mas minhas massas são melhores do que da Antonieta. Anne, aguardo seus comentários! (Dani Diniz)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

GREGOS E TROIANOS

Alguns momentos, situações ou pessoas são meras passagens nas nossas vidas. Outros, porém, podem nos marcar definitivamente e deixar uma carga emocional importante na nossa história e em quem somos e no porquê de sermos o que somos. Eu estava pensando exatamente nisso enquanto via, emocionada, uma linda, corajosa e grande amiga de infância entrar vestida de noiva na Catedral Ortodoxa, ali na Rua Vergueiro (aliás, é uma igreja que merece ser visitada). Ah! Quantas lembranças... Os dias de escola ali no Colégio de Santa Inês (centenário!) no Bom Retiro, as brincadeiras, os ídolos das novelas e dos cinemas, os namorados, decorar letras de música em inglês, encapar o fichário, o primeiro beijo desejado (e às vezes nunca dado), os dilemas deliciosos de uma outra época. E foi lá, nessa época, que tive a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade de uma forma muito peculiar e que, pra mim, tem muito a ver com o jeito dessa cidade que tanto me encanta. Descendente de italianos e estudando num colégio católico de freiras, convivi com a família grega da Aretusa (essa minha amiga que casou) e outros amigos, como o Ioannis e o Demétrios (todos de origem grega), mas, também, com coreanos, judeus, libaneses e até búlgaros, sempre de forma absolutamente tranquila. Lembro de me assustar quando o papai me explicava o motivo das guerras que víamos pela televisão, porque eu achava que o mundo, na verdade, deveria ser um grande Bom Retiro, onde todas as pessoas convivessem pacífica e respeitosamente nas suas diferenças. Íamos à escola ali, mas também comíamos uma bureka à tarde na Casa Búlgara sem entender patavina do que a senhora do caixa falava, comprávamos canetinhas e papéis de carta nas lojinhas dos coreanos (que só não falavam português na hora de dar desconto... hehe), pegávamos ônibus lotado na muvuca das lojas da Rua José Paulino, ouvíamos o chamado pro shabat vindo da sinagoga no pôr-do-sol da sexta-feira e muito mais. De pensar em tudo isso, não resisti e, no dia seguinte ao casamento da Arê, resolvemos prestar uma homenagem à minha amiga e ao passado. Fomos almoçar no famoso e tradicional Acrópoles na Rua da Graça. Sempre digo que lá é o restaurante grego mais grego do mundo, porque eu duvido que mesmo na Grécia exista algo assim, com todas as comidas típicas reunidas num só lugar. Fundado em 1959 pelo Sr. Thrassyvoulos Petrakis (fala isso rápido sem enrolar a língua!), vulgo "Seu Trasso" (bem mais fácil e carinhoso...), o restaurante é tão especial que está até no livro “1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer”. E dá pra entender o porquê. O restaurante é muito simples e acolhedor, assim como o Seu Trasso, que nos recebeu na porta (como faz todos os dias com todos os clientes), juntou as mesas para sentarmos, serviu uma entrada ótima de pastas (a coalhada com pepino é a melhor) com pães quentinhos e ficou ali, sentado conosco, nos convencendo de que ele realmente tem 92 anos! Depois, nos explicou sobre todas as deliciosas comidas que ficam expostas lá atrás na cozinha pra você escolher. No Acrópoles, você come primeiro com os olhos, despertando o paladar e o olfato antes mesmo da comida chegar à mesa, e, depois, experimenta pratos maravilhosos e muito bem servidos. Comi uma vitela saborosa, o marido comeu um mix de frutos do mar (só “pra variar”) e os amigos comeram um suculento e típico carneiro. Ainda tem os doces de nomes impronunciáveis e sabores irresistíveis. Não tem como não sair satisfeito de lá. Assim como São Paulo e como o próprio Bom Retiro, a comida do Acrópoles agrada gregos, troianos, gaúchos, paulistanos, judeus, baianos, pernambucanos e todos que ali convivem em harmonia. Mais uma lembrança bacana sobre diversidade e tolerância e menos um lugar na lista para conhecer antes de morrer. Valeu muito! (Dani Krause)
www.colegiodesantaines.com.br
Casa Búlgara: Rua Silva Pinto,356 - (011) 3222-9849
www.restauranteacropoles.com.br

terça-feira, 19 de maio de 2009

NOITE DAS ARÁBIAS NA VILA MASCOTE

Neste final de semana, fizemos uma reunião aqui em casa e resolvi fazer uma noite árabe. Adoro comida árabe, mas, por óbvio, eu nem me atrevo a começar a fazer nada. Encomendei toda a comida, coloquei umas velinhas e fiz um clima na casa. Aqui em São Paulo não faltam opções para matar umas vontades inesperadas (mentira, pra mim, são sempre bem esperadas) de uma comidinha assim. O Almanara é impecável sempre (a esfiha de verdura e a salada almanara são o que há), o Tenda do Nilo é marcado pelo jeito caseiro das irmãs Olinda e Xmune (o melhor falafel do mundo todo tem lá), o simples que satisfaz do Jaber, as delícias do Brasserie Victoria e o Arábia para uma ocasião mais sofisticada. Mas, pra mim, merece comentar o Halim ali na Rua Rafael de Barros no Paraíso (onde acabei fazendo as encomendas). Quando eu e o marido trabalhávamos ali pertinho frequentávamos mais, mas sempre é tempo de revisitar o lugar. Aliás, pelo menos pra quem conhece, é quase uma lenda urbana materializada. É uma tradição tão típica do lugar a comida ser boa e o atendimento ser desajeitado que não dá pra pensar em ir até lá e não ter algumas experiências diferentes. Eles reformaram o local em 2007 e ficou maior e mais bonito, mas continua com aquele mesmo ar simples e tradicional de que eu gosto tanto. O atendimento é um pouco estranho, os garçons parecem sempre estar de mal com a vida e não ouvir absolutamente nada do que se pede (sabe aquela sensação de que alguma coisa vai vir errada?), além, claro, de não ter passado um único dia em que a conta não tenha vindo com uns errinhos de cálculo (sempre para mais, claro), saindo do caixa comandado por uma senhora brava de cabelos cor de fogo (no fundo, acho que a gente tinha até um pouco de medo dela...). Eu sempre entro no Halim com o espírito preparado e acabo achando tudo muito hilário. Pode parecer esquisito, mas não é desagradável. Na verdade, fica até bem engraçado se você já souber o que te espera e não der muita bola pra certos “detalhes” (num lugar assim, eu não dou). Mesmo porque (e isso é realmente o mais importante) a comida tradicional vale a pena. Só para dar uns exemplos, a esfiha folhada de carne, a kafta com queijo, a abobrinha recheada e o michuí de filé merecem destaque, assim como os doces que são realmente muito bem feitos e fresquinhos. O negócio é que, depois de muito conversar para que a minha encomenda saísse certa, saiu tudo certo. E tão certo que foi o maior sucesso em casa. Depois de receber todos os elogios que, na verdade, não seriam “só” para mim, fiquei pensando que não dá nem pra imaginar um Halim descaracterizado com ótimo atendimento, toalhas de pano sobre as mesas, garçons sorridentes ou conta certinha e rápida. Afe, que chatice que ia ser! Não ia ter a menor graça. Nem o mesmo sabor... (Dani Krause)

Restaurante Halim - Rua Dr. Rafael de Barros, 56 - Paraíso

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ALMOÇO COM COISINHAS

Hoje tive um daqueles almoços de negócio. Conheci a fonte (para quem não é do ramo,fonte é algum profissional que nos dá informações, pautas e entrevistas relevantes) no Fórum de Comandatuba e a conversa está rendendo frutos até agora. Ele havia sugerido um encontro no Maní, um restaurante na Joaquim Antunes que eu nunca tinha ido. Havia uma razão para ser lá. Num dos jantares lá do Fórum, a chef desse restaurante, Helena Rizzo, mandou muito bem com um cardápio para lá de delicioso (e inovador). Eu adorei. A fonte, simpática, lembrou e pensou em marcar por lá. Não deu certo. Já fica aqui avisado que o restaurante de portinha de madeira (a única coisa que deu para ver) fecha às segundas-feiras. O bom é que ainda podíamos escolher – naquela mesma quadra – onde iríamos almoçar. Havia em frente o Empório Ravioli (sempre uma boa opção para esses almoços de negócio) e um que nunca havia pisado, a Mercearia do Conde, na própria Joaquim, esquina com a Sampaio Vidal. Amei. O espaço é decorado com um tudo de coisinhas coloridas e lindas: bonecas, tapetes, pratos diferentes, quadros, esculturas. Havia a opção de prato executivo: daquelas que vem entrada, prato principal e sobremesa mas eu pulei essa parte e pedi logo um nhoque de mandioquinha numa cesta de queijo. Delícia. Imagine o queijo todo gratinado e bem fininho. Então, essa é a cesta, que forma na verdade uma espécie de concha. O nhoque vem dentro dela com um molho de tomate frescos e manjericão. E o prato (além de lindo) é farto. O preço: 39 reais. Justo. Percebi que cada prato vem numa louça diferente (e que louça linda). Tudo lá cheira arte. No corredor, há uma cortininha que dá para a loja Caixeiro Viajante. O nome tem, definitivamente, tudo a ver com o lugar. A loja vende de tudo (mas tudo com cara de arte): bonecas, quadros, aventais, galinhas, anjos, roupas (até para crianças), acessórios e umas caixinhas de música à manivela. Uma coisa linda. Tudo assinado por algum artista. Claro que achei mais um anjo lindo para minha coleção e comprei. Enfim, deixei de conhecer o espaço da chef Helena Rizzo mas tive a oportunidade de saborear um delicioso prato e conhecer um lugar que faz muito bem aos olhos. A Caixeiro Viajante é, sem dúvida, uma ótima opção para escolher o presente para aquela pessoa que gosta de coisas diferentes. Tiz, lembrei de você! (Dani Diniz)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DELÍCIA MINEIRA EM MÃOS BAIANAS

Eu sou totalmente louca por pão de queijo. Na verdade, acho que se me derem pedregulho com queijo eu como e como feliz. Mas aquele pão de queijo quentinho e macio, que você morde e enche a boca com sabores do interior, ai, é irresistível. Talvez seja o meu sangue mineiro herdado da vovó Dirce (que também faz um pão de queijo maravilhoso). Só sei que é quase uma tara pra mim. Coisa que eu adoro é passar pelo Pão de Queijo da Haddock Lobo e esperar aquela cesta ficar cheia de pão de queijo quentinho (fornadas a cada 15 minutos). É outro clássico já manjado da cidade, mas não menos imperdível. O lugar é super simples, quase não tem lugar para sentar (só tem um banco meio molenga), contrastando muito com aquele “chiquê” todo da esquina com a Rua Oscar Freire. Exatamente por isso é tão gostoso! Nunca consigo comer um só. Eu juro que eu tento. Mas não dá. Mesmo porque os atendentes ficam te tentando com a cesta cheinha e cheirosa e com as outras delícias do balcão. É, porque, além do pão de queijo (tão bom que o Tião, o baiano responsável por essa delícia, está ali fazendo a mesma receita desde os anos 60!), tem uns salgados ótimos, um quindim que até eu adoro (digo “até eu” porque eu odeio coco ralado com todas as forças da minha alma e ainda assim eu como sem reclamar o quindim deles) e uma torta de limão que, sério, é de comer ajoelhada. Olha, ao invés de torrar uma grana naqueles restaurantes “carééééérrimos” dos Jardins, passe uma tarde por lá, compre uns pães de queijo, uns docinhos e faça um piquenique em casa mesmo ou em algum lugar gostoso (que saudades do vovô que me levava pra fazer piquenique no Horto Florestal...). Tenho certeza que seu bolso, seu estômago e seu coração vão ficar agradecidos. (Dani Krause)


Pão de Queijo Haddock Lobo
Rua Haddock Lobo, 1408 – 3088-3087
Horário: 8h às 20h30 (dom. das 9h às 19h)
PS: Cuidado ao estacionar na porta. Vi pessoas serem multadas mesmo para parar “só um minutinho”.

terça-feira, 5 de maio de 2009

BONS SONHOS

Nas minhas andanças pela Vila Madalena, encontrei uma loja gracinha chamada Para Dormir. Claro, vendem roupa para dormir. Pijamas muito gostosos e divertidos. Para bebês e crianças, a loja oferece estampas tradicionais de ursinho e outras mais maluquinhas com aviões, fadas, caveiras coloridas, dinossauros, camuflagem e outras tantas que acho que meus sobrinhos iam adorar. Mas para adulto também tem, de flanela para se esquentar numa noite fria ou de algodão para aproveitar um calorzinho com bom humor. Essa é a ideia, mas tem outras ideias também, como esse pijama de amarrar do lado para as mulheres, que eu achei muito prático para grávidas ou que estejam amamentando. Aqui em casa temos uma controvérsia sobre pijamas. Eu adoro camisolas legais, pijamas mais ajeitados. Já meu marido diz que “homem não usa essas coisas” e acaba dormindo de camisetas detonadas e shorts velhos. Na Para Dormir descobri que isso não acontece só por aqui. Tanto que vendem muito para homens calças avulsas confortáveis de algodão com elástico (assim, podem continuar usando as tais camisetas brancas detonadas de homem!). Na loja você também encontra objetos diferentes como bonequinhos de lã e outros em estilo japonês de tecido, pesos para porta divertidos de gatos, bancos de papelão, nécessaires, bolsas, xícaras e bules japoneses para um chá calmante e até luminárias de papel para dar um clima no quarto. Nos últimos tempos, descobri que dormir é todo um processo gostoso de relaxamento, de desligamento da agitação do dia, e que deve começar muito antes de cair no sono. Tomar um banho morno, colocar um pijama confortável, ler um livro na cama e então ter uma noite só de sonhos bons. (Dani Krause)

Para Dormir
www.para-dormir.blogspot.com
Rua Fradique Coutinho, 1004 - Vila Madalena

domingo, 3 de maio de 2009

LANCHE DE FESTA

Foi a minha sogra quem trouxe a novidade há uns anos. Até então, nunca tinha visto nada parecido: uns pães redondos de vários tipos (mandioquinha, espinafre, tomate seco) com recheios maravilhosos de queijos e frios de qualidade e bem combinados. Além de serem deliciosos e terem um visual legal, são uma versão bem melhorada daquele conhecido pão de metro. Hoje, algumas padarias já estão fazendo, mas o primeiro lugar que eu soube fazer esse tipo de lanche diferenciado foi a Terracota Pães e Doces do Brooklin. Virei cliente. A Terracota não é uma padaria comum pra chegar lá e pedir meia dúzia de pãezinhos, porque só trabalham por encomenda, mas o atendimento é sempre muito bom. Aliás, eles cresceram muito nos últimos anos, estão com uma sede maior e continuam quase que especializados nesses pães diferentes e doces especiais. Acho uma idéia prática e rápida para reuniões em casa, aniversários e festinhas. Outra dica legal para esses eventos menores é a Califórnia Bakery, pra ficarmos ali pelo Brooklin também. Essa sim é uma padaria mais tradicional, mas eles fazem uns lanchinhos embrulhados individualmente muito bons e vendem por quilo. Deixe os sites anotados, porque se você não tiver muito tempo ou talento para cozinhar (como eu! hehe) pode ser muito útil um dia. (Dani Krause)
www.terracotapaes.com.br
www.californiabakery.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2009

SABORES PORTEÑOS

Como você já deve ter percebido, o marido é gaúcho. E, como todo bom gaúcho, adora um bom churrasco. Ele já tinha me falado de um restaurante chamado Parrilla Argentina, aqui no Jabaquara, perto de casa e do trabalho dele, e hoje fomos almoçar lá. O lugar fica fora do circuito tradicional de restaurantes da cidade, é pequeno e tem na boa comida e na simplicidade os destaques que te dão vontade de voltar. O cardápio é bem ilustrativo, com fotos de todos os pratos e dos cortes da carne (ainda cruas!), e é bem esclarecedor para quem não sabe nada sobre carne (como eu!). O movimento dos assadores na grelha me lembrou um lugar bem bacana que fomos em Bariloche, o El Boliche de Alberto (não é um boliche como os que a gente conhece daqui, mas uma churrascaria mais simples e ótima). No Parrilla, de entrada, pedimos umas empanadas (tipicamente argentinas) de queijo (deliciosa) e de carne apimentada e um tomate grandão com alcaparras gigantes e azeite de oliva libanês. De principal, pedimos um Ojo de Bife e uma Picanha de Cordeiro. As carnes estavam muito saborosas, sem muito sal, assadas conforme cada tipo de corte e vieram acompanhadas de batatas assadas com tempero de ervas e um pouco de alho frito (provençal). Dois pratos servem muito bem quatro pessoas, mas é possível pedir meia porção. As sobremesas são muito boas também. O marido comeu uma pêra com calda de frutas vermelhas, eu dividi com a minha mais-que-irmã uma panqueca de maçã e dulce de leche e o cunhado postiço comeu um negócio de amêndoas com chocolate. Tudo gostoso e bem servido, apesar de eu ter achado as sobremesas caras demais. Não estávamos muito no clima de tomar vinho, mesmo porque tínhamos que pegar nossos sobrinhos para uma “Noite de Bagunça na Casa dos Tios” e sono de origem alcoólica com a energia de crianças de 7 e 4 anos, definitivamente, não combinam. Mas o restaurante tem uma variedade enorme de bons vinhos, cerca de 500 rótulos à disposição do seu paladar, além de muitos tipos de cerveja, incluindo a uruguaia Norteña. Olha, se o marido, que é gaúcho, criado a pão-de-ló, leite, chimarrão e bom churrasco aprovou, vá com fé que você vai gostar também! (Dani Krause)

www.parrillargentina.com.br
Rua Professor Sousa Barros , 493 – Jabaquara – Perto do metrô São Judas - (11) 2577-6616
PS: Não aceitam Visa nem cartão de débito de qualquer bandeira

A PAULISTANA LIVRARIA CULTURA

Poderia escrever um post sobre Livrarias, que para mim é como parque de diversões para crianças. Mas a Livraria Cultura merece um texto à parte. Não que ela seja minha preferida, mas ela é diferente. Conheci a Livraria Cultura do Conjunto Nacional há uns dez anos, quando estudava ali no prédio da Gazeta. Era menor que a de agora mas já guardava seu encanto e, especialmente, o zelo no atendimento. E é isso que a torna tão diferente. Seus profissionais sabem como atender o cliente. Sabem do que nós falamos. E sabem porque realmente se interessam por cultura. Taí algo que muitas empresas poderiam aprender. Isso é o que chamamos de estar alinhado ao negócio. Seja por treinamento, por seleção, ou um pouco de tudo, a Livraria Cultura tem profissionais alinhados à sua (não dá para usar outra palavra) cultura. [Ai, acho que estou confundindo esse blog com o da VOCÊ RH]. Mas, seguimos. Passei por lá hoje para ver se encontrava o CD que não achei na Fnac: Mi Buenos Aires Querido, do Daniel Barenboim. Claro que encontrei. Imediatamente o vendedor de CDs me indicou para a seção de clássicos (que fica separada) e outro vendedor já colocou o CD em minhas mãos, explicando que era importado, sua qualidade e tal. Eu já tinha ouvido o CD e percebi, claramente, que ele conhecia mesmo o produto.Além de ter quase tudo que a gente quer, o diferencial da Cultura está nessa conversa – cliente/funcionário. E já que falei de gestão de pessoas não posso deixar de ligar a gestão da Cultura ao seu sucesso. A livraria, que nasceu do aluguel caseiro de alguns livros feito por Eva Herz, mãe do atual dono, Pedro Herz, está hoje em quatro estados brasileiros e conta ainda com planos de expansão. Eles souberam crescer de forma profissional sem perder o encanto que o mundo dos livros oferece. E crescer significa abrir uma mega loja no próprio Conjunto Nacional (um lugar com a cara de São Paulo) que, mais do que apenas uma livraria, se transformou em passeio de paulistano. O que não falta é gente – em qualquer horário do dia, em qualquer dia da semana – passando por lá para tomar um cafezinho, comer alguma coisa ou só para dar aquela xereteada básica nos títulos em destaque. Quando estou na Paulista, entrar na Cultura é rota obrigatória. O duro é sair do meu parque de diversões sem comprar algum brinquedo. (Dani Diniz)
www.livrariacultura.com.br

terça-feira, 28 de abril de 2009

PROGRAMA 2 EM 1

Sexta-feira foi meu último dia de férias. Na verdade tive uma folga em meio às férias mas isso não vem ao caso. O importante é que, apesar da chuva, do frio e da preguiça eu me propus a fazer um programa deliciosamente paulistano e que me fez tão bem. Com um tíquete do metrô, me desloquei até a estação da Luz e com apenas 8 reais pude passar a tarde entre a Pinacoteca do Estado e o Museu da Língua Portuguesa. Fazia uns seis anos que não pisava na Pinacoteca e lembrei da primeira vez que estive por lá. Foi também numa sexta-feira de outono chuvoso e eu me deixei levar pelas suas paredes de tijolinhos e todo o arsenal artístico que elas abrigam. Estive lá no meu segundo ano de faculdade para fazer algum trabalho de história da arte e fiquei horas olhando o vai-e-vem dos alunos, impacientes ao tentar anotar tudo que olhavam sem ver. Sexta-feira passada, alguns bons anos mais velha, tive a mesma sensação de calma ao olhar tantas artes e descobrir a pintura do francês Fernand Léger, artista do século XX que teve um relacionamento estreito com alguns modernistas brasileiros, entre eles, Tarsila do Amaral. Assisti inclusive a um filminho sobre sua vida e obra e achei seu trabalho muito rico. Interessante, por exemplo, a fixação que ele tinha pelas mãos e como conseguia retratar isso em seus quadros, alguns, confesso, aflitivos. O ruído dos adolescentes incomoda um pouco, é verdade. Mas basta brincar de gato e rato com eles para poder apreciar o acervo permanente do Museu, com obras belíssimas de Benedito Calixto, Almeida Júnior, Anita Malfati, Victor Brecheret entre tantos. Passei uma duas horas olhando o todo, subindo e descendo escadas e tirando fotos também. Ué, por que a gente só tira foto quando está fora de São Paulo? Tomei um cafezinho ali ao lado num espaço bonito mas de atendimento péssimo. Café com café mesmo pois não tinha nada muito gostosinho para acompanhar. Atravessei a rua e estava na bilheteria do Museu da Língua Portuguesa. Lá eu estive há menos tempo (no começo do ano passado e vi a excelente exposição de Gilberto Freyre). Como, infelizmente, a amostra de Machado de Assis já havia sido desfeita, me contentei com o Museu pura e simplesmente. E isso só basta. Assisti novamente ao filme sobre a origem das línguas na voz de Fernanda Montenegro e entrei no palco para ouvir de doces vozes poemas eternos, parágrafos intensos, canções de amor, de saudade, de exílio. Ouvi Camões, ouvi Pessoa, ouvi Drummond, ouvi Gonçalves Dias, ouvi Guimarães e senti todos eles. Eu me emocionei da primeira vez. Achei que era coisa de principiante. Não. Eu me emocionei novamente e como não sentir isso ao ouvir o Guardador de Rebanhos? Não, não dá. Infelizmente, os mais de cem alunos que se sufocavam no palco, ouviam sem escutar. Saí de lá e ainda me aventurei no túnel de palavras e no telão, que pega todo um corredor, e mostra um pouco da nossa cultura. Tirando o frio do ar-condicionado e o tumulto dos adolescentes, tudo valeu a pena. Peguei meu guarda-chuva, meu tíquete de volta do metrô e, em menos de 15 minutos, eu estava na estação Brigadeiro, onde fui tomar um cafezinho com minha irmã. Com sede de cultura e para ver se a chuva passava, parei na Fnac em busca de um CD que ainda não encontrei. A voz que recitaram os versos de Pessoa ainda estava nos meus ouvidos. E já que eu estava lá, por que não abrir o último exemplar que reúne mais de 100 textos inéditos do poeta português? Eu me contentei em reler apenas o Guardador de Rebanhos. Meu último dia de férias valeu por todos. Com apenas 8 reais eu me alimentei – de cultura (como uma vez disse – e ela também estava no Museu – Clarice Lispector). (Dani Diniz)
www.pinacoteca.org.br
www.museudalinguaportuguesa.org.br
www.fnac.com.br

segunda-feira, 27 de abril de 2009

FRANGO COM FAROFA (E MAIS...)

Estamos acostumados a almoçar fora aos domingos. Neste, porém, com marido gripado e de cama, decidimos comprar alguma comida e levar para casa. E fizemos algo bem básico e bem bom: comprar frango, daqueles que aparecem nas famosas televisão de cachorro, com farofa. Fui até a Bologna, rotisserie com mais de 80 anos, localizada na Rua Augusta. Quem havia me falado dela foi a Alê, que trabalhava aqui com a gente e agora tá virando carioca. O casarão azul antigo na esquina atende muito bem a freguesia com seu jeito tradicional e pitoresco. De dentro da cozinha sai o frango picado com um cheiro delicioso e quentinho. Caprichosamente, o moço do balcão enrola um papelão no pacote e amarra com um barbante para o prato ficar bem preso. Barbante mesmo, daqueles de linha bem fininha. A espera para ser atendida não durou mais de cinco minutos. O frango com farofa custou 26 reais e a paz de comer (bem) em casa num dia friozinho não teve preço. Ops..é bom dizer, no entanto, que lá não aceita Mastercard. Aliás, nenhum cartão de crédito. (Dani Diniz)

Bologna - Rua Augusta, 379/Centro (fecha às segundas-feiras)

PS de Dani Krause: Depois desse franguinho, experimentem as tortas de sorvete da Bologna de vários sabores e com licores deliciosos como o de Marsala. São demais e podem ser levadas para curtir em casa com tranquilidade porque eles têm um sistema de embalagem com gelo seco que não tem como derreter facilmente.

domingo, 26 de abril de 2009

NOTÍVAGA BEM ALIMENTADA

Sou uma notívaga assumida: penso, trabalho e vivo muito melhor depois das 18h (ok, por isso tenho tanta dificuldade para acordar cedo) e, também por isso, curto sair à noite durante a semana (ainda que não façamos isso quase nunca). Fico sempre aliviada em ver tanta gente nas ruas, nos bares e restaurantes confraternizando e batendo papo, mesmo porque são pessoas a menos vendo aquela novela chata e sofrendo, antecipadamente, pelas coisas ainda mais chatas que surgirão no dia seguinte. Quinta-feira passada fomos jantar no novo Zena Caffé na Rua Peixoto Gomide (o site deles ainda nem está totalmente pronto). A proposta é ser um restaurante italiano mais despojado e ficou bem aconchegante, com mesas fora e dentro do espaço, um bar bem recheado, espaço decorado com plantas, prosciuttos e ervas italianas, além, claro, de uma imagem linda da Liguria, região norte da Itália, que é a origem dos pratos do lugar. Já passava das 21h e tivemos que esperar no bar tomando uma taça de vinho porque o lugar estava bem cheio (o que, segundo os nossos critérios preliminares de avaliação, é um ótimo sinal). O cardápio é de dar água na boca. De entrada pedimos uma focaccia fechada recheada com um queijo delicioso chamado stracchino (produzido com exclusividade pelo produtor da Serra das Antas). Imagine se eu não adorei? De principal, com certa dificuldade para escolher, optei por uma massinha artesanal (que eu esqueci o nome) com um molho de nozes fantástico e o marido comeu um espaguete ao pesto (pesto mesmo, de verdade, com pecorino e pinole e tudo mais o que tinha direito). De sobremesa, dividimos uma mousse de chocolate com alecrim. Bem diferente. Eu gostei muito, o marido médio (alecrim pra ele é coisa que vai em comida salgada... ele tem essas coisas...hehe). O chef Carlos Bertolazzi realmente está se superando no Zena. O atendimento foi muito bom, todos os garçons sabiam explicar tudo sobre os pratos e sobre os vinhos. Excelente novidade que eu recomendo com certeza. Fiquei pensando no Fernando e na Patê, que moram ali na Peixoto Gomide, podendo curtir sempre o lugar. Até indo a pé. O que seria uma ótima idéia para ajudar a digestão, porque, confesso, comi bem até demais ali! (Dani Krause).
Zena Caffé – Rua Peixoto Gomide, 1901, Jardins
www.zenacaffe.com.br
Entrada, vinho, prato principal e sobremesa: média de R$70,00 por pessoa.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

NAMORO À ITALIANA

Antes de me casar, morei sozinha na Rua Cubatão, ali na Vila Mariana. O apartamento era um “apertamento” bem acabadinho, mas eu não tinha grana pra nada e adorava morar por ali. Tudo perto, metrô no outro quarteirão e do lado do lugar onde eu trabalhava. Eu vivia o sonho de consumo de todo paulistano: ia a pé para o trabalho! No caminho, passava sempre pelo Friccó, um restaurante fofo na própria Rua Cubatão (e está lá naquele casarão desde 1997). Minha mãe falava bem do dono e da esposa dele (elas trabalharam juntas em banco há milênios atrás). Uma noite, eu e o marido (que na época ainda era namorido) resolvemos experimentar. Não é uma cantina daquelas típicas, onde mal se consegue conversar (apesar de eu curtir isso muito também!), e não é um italiano cheio de frescura. Tem um clima bem intimista, de restaurante do bairro. Mas, para nós, naquela época em que tínhamos vergonha de contar o nosso salário (ah! Essa foi pra minha ex-chefe! Haha), foi um jantar especial com uma conta meio salgada. Mas gostamos muito. A cozinha deles é aberta e tem até nome: Teatro della Pasta. Achei interessante, porque cozinhar é mesmo uma arte. A comida é italiana autêntica com umas atualizações e combinações deliciosas. Comi o clássico do lugar, Friccó de Frango (carne temperada com ervas especiais e vinho branco) com espaguete, e o Marcos comeu uma massa com frutos do mar (que ele adora e eu odeio). Já faz um bom tempo e eu ainda lembro direitinho (mulheres...). Passamos em frente na semana passada e vi que o lugar foi ampliado. Tem um espaço só de vinhos e, ao que tudo indica, o cardápio sofreu umas mudanças. O Sauro Scarabotta (dono e chef do lugar) é um italiano super estabelecido no mercado de restaurantes de São Paulo há anos (chefiou restaurantes como O Leopolldo e Bar des Arts) e está criando uns petiscos diferentes para combinar com os vinhos. Fiquei curiosa. Na verdade, fiquei foi com saudades dos aromas e gostos daquela nossa noite romântica de começo de namoro. Acho que vou convidar o marido para jantar na Vila Mariana... Convide o seu amor também! (Dani Krause)
www.fricco.com.br
PS: Sugiro fazer reserva (porque o lugar não é grande) e consultar os horários de funcionamento antes (não abre em todos os horários tradicionais todos os dias).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

ARTES BRASILEIRAS NO ITAIM

Fui visitar uma colega aqui do trabalho na Maternidade São Luiz, no Itaim. Ela está bem e, Luísa, sua mais nova herdeira, é fofa e está ótima. Aproveitei que estava por aquelas bandas (a pé, lembre-se sempre!) e segui pela rua Bandeira Paulista. Ah, eu estava de férias (e andar no meio da tarde em São Paulo em meio a uma quarta-feira é uma delícia!!) . Na rua, lojinhas lindas de todos os tipos: de acessórios, de roupas, de bolsas (para vender no varejo ou atacado). Uma portinha ao lado da outra. Não estava com apetite consumista a ponto de bater na porta daquelas boutiques. Sim, não dá para entrar assim no ir entrando e seja bem-vinda. Percebi que na maioria delas, é preciso tocar a campanhia para colocar os pezinhos para dentro. Enfim, fui seguindo... e encontrei uma loja que já tinha entrado – essa sem bater na porta – há uns três anos. Chama-se Etnia e tem coisas lindas de todo o Brasil. Quadros, esculturas em barro, argila, papel machê, colares, bolsas, bonecas, jogo americano, sandálias, ganchos lindos para pendurar roupas... uma infinidade do supérfluo necessário à casa de cada um de nós, como diria Oscar Wilde. Da outra vez, saí de lá com uma galinha com pinturas diferentes para minha cozinha e um anjo de argila feito por um artista de Pernambuco. Desta vez, me apaixonei por outro anjo (eu tenho coleção deles). Este é de um artista de Santos. Lindo. É que eu não estava no espírito consumista porque havia uns quadrinhos coloridos lindos em promoção! Vale conferir nem que seja só para dar aquela espiadinha. (Dani Diniz)

PLANO B

Hoje a Av. 23 de Maio, para mim, foi um pouco mais do que o palco de um trânsito inexplicável (mas quase previsível) às 2h30 da tarde. Aproveitei que estava ali mesmo e comecei a reparar na “paisagem”. Primeiro vi um grafite num viaduto com um desenho e uma frase que dizia: “Você passa mais tempo no trânsito do que com a sua família”. Depois, li numa parede uma pichação que, com certa revolta, afirmava: “O amor é importante, porra”. Já tinha visto esta mensagem em um cartaz numa esquina da Rua Augusta há semanas atrás e achei bastante... contundente (é, contundente é a palavra). Seguindo mais um pouco, vi um adesivo num carro dizendo: “Deus enviou seu filho há 2000 anos num plano de amor e salvação”. Pensando na quantidade de coisas horríveis que vemos acontecer todos os dias, bem ao nosso lado, aqui na nossa cidade, no nosso bairro, no nosso quarteirão, fiquei torcendo muito para Deus ter um plano B. E deve ter mesmo, porque, pelo visto, muitas pessoas, de um jeito ou de outro, andam refletindo sobre amor e salvação por aqui... Que bom! (Dani Krause)

terça-feira, 21 de abril de 2009

PLUS DE PAIN!

Ok... não temos a Le Moulin de La Vierge nem a Poilâne, mas aqui também não é Paris, né? O que não nos tira o prazer de nos “contentarmos” em conhecer o Blés D´Or, aqui na Rua Tuim em Moema (contentar de ficar contente mesmo, porque eu saio feliz da vida de lá sempre!). É um misto de café, pâtisserie e boulangerie. Hoje mesmo fomos lá e fiquei pensando como eu amo os pães bem feitos (como o de queijo brie com vinho branco ou o de queijo camembert com vinho tinto) e aquele cheirão de chocolate que sai da cozinha. É um lugar muito agradável, com decoração meio rústica, espaços verdes e flores. Tem jeito mesmo de bistrô e boulangerie parisiense. Tudo perfeito para ter um tempo de paz e sossego (dá vontade de desligar o celular imediatamente só para não ser incomodada). Eu já tinha ficado completamente conquistada no primeiro domingo em que fui com o meu marido conhecer o buffet de café da manhã, que é ma-ra-vi-lho-so (exatamente desse jeito, sem faltar ênfase a nenhuma sílaba) e por isso fica bem lotado pelas manhãs. Na verdade não é bem um café da manhã, mais um brunch, porque você come muito bem e não consegue sair de lá pensando em comida por muitas horas. Eles têm ótimos sanduíches e salgados, como as quiches, o croque monsieur e o nosso bom e velho pão de queijo, e, também, doces deliciosos, como o bolo de maçã com nozes, o croissant de chocolate com cobertura de amêndoa e a tarte tatin (aquela torta de maçã com caramelo, que me dá água na boca só de pronunciar o nome...). Sabe quando você quer uma comidinha deliciosa e não sabe bem o que é? Lá você vai achar com certeza alguma coisa. Mas virei fã de carteirinha mesmo do lugar no último dia internacional da mulher: o chef, Didier Niepceron, um francês já abrasileirado e gentilíssimo, ofereceu uma taça de prosecco com licor de violeta para todas as mulheres e, depois, ainda veio até a nossa mesa, perguntou se tudo ia bem e me disse onde tinha comprado a bebida com a dica da promoção. Achei uma simpatia. A mesma simpatia com a qual são tratados todos os habitués ali do bairro, que são sempre as mesmas caras que vejo quando vou lá para curtir o lugar no café da manhã, ou quando passo correndo, só para levar uns pães e queijos especiais para casa e fazer o maior sucesso com as visitas. Très delicioso. (Dani Krause)

Buffet de café da manhã: R$25,00 por pessoa (com sucos à vontade e uma bebida quente)

www.blesdor.com.br
www.lemoulindelavierge.com

www.polaine.fr

sexta-feira, 17 de abril de 2009

BOM, BONITO E BARATO

Ontem fomos ver o show intimista da banda gaúcha Delicatessen no SESC Vila Mariana (pronto, marido, negritei o gaúcha). Adoramos. O espaço (auditório) não é grande e, por isso mesmo, ótimo, o preço melhor ainda (R$12,00 por pessoa para não associado) e o som de altíssimo nível. Eles fazem uma mistura de bossa e jazz da melhor qualidade, fugindo daquele tradicional batido, e receberam elogios de uma crítica bem entendida. Agora, estão lançando o segundo disco com músicas ainda mais bacanas e bem produzidas (algumas em português que ficaram uma graça). Eu não sou tão entendida, mas fiquei pensando que se eles tocassem “Atirei o Pau no Gato” deveria ficar lindo também... haha. Os músicos (Carlos Badia, Nico Bueno e Mano Gomes) são ótimos, mas a cantora, Ana Krüger, é uma verdadeira estrela jazzística em potencial. Quem diria que ainda teríamos a nossa? E quem diria que teríamos entretenimento de tanta qualidade por tão pouco? Isso, claro, comparando a um Hall desses da vida, que cobra caro para você ficar lá no fim do mundo e não enxergar nada (sofro com a minha miopia). Nunca tinha ido aos shows no SESC porque achava que tudo seria lotado e desorganizado. Super por fora! Tudo organizadíssimo, ingressos comprados com antecedência, estacionamento a R$4,00 no local e lugares confortáveis. Nas várias unidades do SESC da grande São Paulo (ou de Santos e do interior) é possível curtir shows que variam, em média, de R$12 a R$30,00 (para quem não é associado, se for é menos) e de gente super famosa como Ed Motta, Frejat, Lenine (pena que estava esgotado para o dia 21.04 agora...). E de gente absurdamente talentosa, mas ainda não tão famosa e que vale conferir. De hoje em diante vou pesquisar sempre no site do SESC SP para ver a programação e organizar com antecedência a compra de ingressos. Além dos eventos musicais, há apresentações de teatro, grupos de debates sobre literatura, cinema e vários outros assuntos interessantes. Alguns eventos são, inclusive, gratuitos. Só tem que ficar esperto para comprar ou se inscrever, porque tudo que é bom, bonito e barato acaba logo! (Dani Krause)
www.sescsp.org.br

quinta-feira, 16 de abril de 2009

"PINDURA"

Não, ontem não foi dia 11 de agosto. E, ainda que fosse, eu nunca dei um “pindura” em toda a minha vida de estudante de direito nem de advogada. Pelo menos até ontem. Fui almoçar num lugar gracinha na Rua Mourato Coelho: o Les Delices de Maya (o próprio nome já diz que é delicioso e é mesmo). O espaço não é grande, mas nem precisa, porque grande é a simpatia com que você é recebido ali. Quando cheguei, o lugar estava lotado (ótimo sinal). Então, resolvi dar um tempo olhando a loja Portfólio que fica bem em frente. Comprei um caderno muito bonito (aliás, ali tem coisas lindas de papelaria e eu sou muito, muito mulherzinha mesmo porque amo papelaria). Bom, feita a compra, voltei ao Les Delices de Maya. Eles têm pratos ótimos, quiches e empanadas que a própria Maya cria e faz (pode levar para casa porque tem congelado). Resolvi pedir um espaguetinho com molho de sálvia e frango ao bechamel. Ótimo. Ah, e a limonada suíça é super refrescante e divertida porque é servida numa garrafinha de Coca Cola (fiquei me perguntando onde estaria a minha velha coleção de garrafinhas de Coca Cola do Mundo... Lembra daquilo? Só se você tiver mais de 30 anos... hehe). Sem mais nem menos, resolvi confirmar (com a própria Maya, que recebe todo mundo como se estivesse na casa dela) se eles aceitavam mesmo Visa. Ai! Estavam com problemas na máquina há dias. Ô intuição... E eu, só pra variar, não tinha um tostão na carteira além do exato para o estacionamento. Bom, pensei, lascou-se tudo. Imagina... Ela disse para eu nem encanar, que outro dia eu passava lá pra pagar ou depositava na conta, que era para eu comer o que quisesse, que não tinha problema nenhum etc. Super querida. Assim, enfiei o pé na jaca mesmo e “pindurei” bem “pindurado”. Comi até uma sobremesa maravilhosa: pavê de figo, que a Maya tinha criado no mesmo dia para o almoço como novidade. Muita sorte a minha. Com toda a certeza, está entre os melhores doces que eu já experimentei. Confesso que fiquei com vontade de provar o brigadeiro, que é servido numa panelinha de ágata com umas colheres para dividir, mas eu estava sozinha e podia ter uma overdose de glicose. Dá pra perceber que tudo ali é feito com muito carinho e com aquele jeitão simples que te deixa à vontade. Várias pessoas que almoçaram no restaurante foram tratadas por seus nomes e eu acho isso o máximo numa cidade como São Paulo. Claro que eu corri e depositei o valor do almoço na conta, mas ali na hora não fiquei nada constrangida com a situação do pagamento porque tudo foi levado numa boa... fiquei tão sossegada que até esqueci o caderno da Portfólio lá e eles me ligaram (!) para avisar. Fiquei pensando no que minha avó dizia: a gente esquece uma coisa num lugar quando gostou muito e quer voltar... não preciso dizer mais nada, né? (Dani Krause)



Atendendo a pedidos: almoço completo R$33,00.
www.atelieportfolio.com.br
Les Delices de Maya – Rua Mourato Coelho, 1044 – (11)3813-3498

segunda-feira, 13 de abril de 2009

IDEIAS À VENDA

Em janeiro do ano passado, o Marcos, meu marido, fez 30 anos. A comemoração estava preparada para ser no Rio Grande do Sul, onde ele nasceu, com toda a família reunida. E assim foi. E foi muito legal. Mas eu queria dar um presente especial para ele. Não servia qualquer coisa comprada pronta numa loja. Eu queria um presente diferente. Foi nessa busca que eu encontrei a Boutique de Ideias (Rua Helena, 170, cj. 122, Vila Olímpia), um lugar especializado em bolar presentes e lembranças personalizados. Fiz o Livro dos 30 anos do Marcos, com fotos da infância, adolescência, formatura, família, nosso casamento e, ao final, colocamos várias mensagens de todos os amigos, parentes e pessoas especiais para ele. O resultado ficou incrível: eu adorei e ele amou (e chorou, claro). Além disso, a Tiz e a Leonora tiveram a maior paciência do mundo comigo porque eu tinha que aprovar o trabalho lá de São Leopoldo, numa lan house, e super em cima da hora! Depois disso não me canso de indicar o lugar para todo mundo que eu conheço. Elas têm umas tiradas ótimas, como o calendário e agenda personalizados, os chocolates com fotos e mensagens, blocos de anotações com montagem de fotos impressas e mais um monte de coisas que só conhecendo pessoalmente ou fuçando no site e no blog delas dá pra descobrir. Se você quiser causar uma reação diferente ao presentear alguém ou criar lembrancinhas e coisas do gênero, vá lá... tem um loja inteira de ideias pra te ajudar. (Dani Krause)

FRESCURA NO BOM SENTIDO

2009 é o ano da França no Brasil. Tanto tem se falado a respeito e eu ando sentindo tanta saudade da nossa viagem à Paris, que resolvemos ter uma experiência diferente neste domingo de Páscoa. Eu e meu marido nunca tínhamos ido a um restaurante francês aqui no Brasil. E o medo dos preços exorbitantes e das porções ínfimas? Mas decidimos conhecer o comentado Le Petit Trou (O Buraquinho), o pequeno e charmoso bistrô que o músico Edgar Scandurra (do Ira!) abriu aqui em São Paulo. Já gostei da entrada do restaurante: uma porta com vidro lindamente decorado. A ideia teria vindo de uma viagem dele para a costa norte da França (Bretanha e Normandia) e os pratos ganharam versões um pouco diferentes daquela cozinha francesa tradicional. O nome é uma homenagem a uma música do famoso cantor francês Serge Gainsbourg, cujo universo artísico teria sido a inspiração da decoração do restaurante (que é uma graça... tá é bem coisa de mulherzinha ficar dizendo isso, né? hehe). Na parte de cima tem um bar bem bacana (Gainsbar), mas mais pra curtir à noite mesmo. O menu não é enorme (o que eu acho ótimo), mas tem uma variedade muito boa de pratos. A comida é francesa sim, mas menos cheia de frescura. Frescos mesmo só os ingredientes. Eles têm muitos peixes e frutos do mar (para a alegria completa do meu marido), crepes (o de queijo brie com mel e vinho tinto foi o que eu comi e adorei), umas saladas diferentes, além de pato, carnes diversas e coq au vin (no caso não é feito com vinho, mas com a sidra típica daquela região francesa, que, aliás, é a bebida da casa). Servida em canecas de cerâmica, a sidra é provada de um jeito quase bretão mesmo... e delicioso. Para os padrões, o preço não fica nada absurdo se você maneirar nas entradas e sobremesas. Fomos almoçar, mas acho que é um lugar maravilhoso para ir à noite e a dois (se você quer impressionar e está com uma graninha extra pra gastar, é uma ótima pedida). Não sei se foi sidra demais, mas logo ali, em Pinheiros mesmo, bem no meio de São Paulo, atingi quase a perfeição: excelente companhia, boa comida e aquela romântica atmosfera francesa, claro, melhorada uns 300% pelo atendimento bem brasileiro! (Dani Krause)


Ah! E para o Anônimo que me "corrigiu" por escrever sidra com "S" dizendo que era com "C" (e ainda me chamou de "Dra" com ironia), informo que cidra é o fruto da cidreira (uma frutinha azeda que não tem nada a ver com a maçã) e que a bebida espumante fermentada de maçã é com "S", de sidra mesmo. Haha... amigo(a), antes de falar, confira aí no dicionário. Beijos, Dra. Dani Krause.

sábado, 11 de abril de 2009

NOSSO VERSAILLES

Estava esperando há semanas aquele passeio da escola. Íamos ao Museu do Ipiranga. Acho que eu sempre fui uma criança diferente, porque desde pequena adorava ir a museus. Mas bem no dia do tal passeio fiquei super doente e não pude ir. Que frustração. Depois, nunca mais me empenhei em criar uma única oportunidade para sanar essa “lacuna cultural”. Hoje, finalmente, acabei com isso. Que vergonha. Tenho quase 30 anos e nunca tinha ido ao Museu do Ipiranga! Conheço museus em várias cidades do mundo e não conhecia o mais paulistano dos museus. Enfim, pronto. Adorei o Parque da Independência, espantosamente bem cuidado. E adorei, também, passear pelos jardins do museu. Não estava muvucado porque era bem meio de feriado de Páscoa, então, foi tranquilo caminhar por ali e a impressão pode ter sido melhor do que num outro final de semana normal. O parque atrás do museu também é uma delícia. São Paulo precisava de muitos mais espaços verdes e abertos assim. O museu começou a ser construído em 1885 e já foi composto pelos acervos dos atuais Museu de Zoologia e Museu de Arqueologia e por outra parte de peças e artefatos para louvar a monarquia brasileira e seu principal feito: a Independência do Brasil às margens do córrego do Ipiranga. Mas logo depois veio a proclamação da República e o lugar virou um monumeto micado, se tornando um museu confuso numa construção não terminada (de acordo com o projeto original haveria outras duas alas laterais). Hoje, os acervos foram separados e organizados e o prédio, apesar de precisar de uns retoques, é bem bonito e tem uma inspiração bem típica do século XIX. Admiradores ferrenhos do estilo francês, os arquitetos e projetistas da época tiveram nitidamente a pretensão de imitar a tendência à simetria do Palácio de Versailles, o que, para os nossos padrões tupiniquins, até deu certo. O acervo atual é um pouco limitado e sem informações adequadas em inglês (vimos alguns turistas decepcionados por lá hoje) e podia sim ser bem incrementado com um pouco mais de atenção. Porém, reúne peças bem interessantes sobre o cotidiano do Brasil Colônia até o final do século XIX, sobre o impressionante desenvolvimento de São Paulo e algumas pinturas, principalmente as encomendas por Afonso d'Escragnolle Taunay (diretor do museu no início do século XX), sobre a época das Bandeiras, das Monções e da Colonização do Brasil. Para mim ficou clara a intenção, na formação do acervo atual, de focar nos feitos dos primeiros paulistas que fundaram as Vilas de São Vicente e São Paulo e que saíram por este Brasil a fora desbravando o interior e ajudando a formar uma cultura tipicamente brasileira (mesmo que esses mesmos “desbravadores” tenham massacrado e escravizado a população indígena local pra isso...). Além de obras de Benedito Calixto, Almeida Júnior e outros artistas do início do século XX, o famoso quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo (aquele clássico que aparece em todos os livros de história sobre o Grito de Independência) merece ser visto. Mas deve ser encarado muito mais por sua contribuição artística do que como ensinamento sobre a verdade histórica. Afinal, não há possibilidade daquela cena ter sido tão glamorosa. Por óbvio D. Pedro I não estava montado naquele lindo cavalo, nem cercado pela guarda real com traje de gala num calor dos infernos. Devia era estar exausto, enfrentando um terreno acidentado no lombo de um jegue e com a cabeça cheia das chatices imperiais... hehe. Mas o fato é que não podemos nos dizer verdadeiramente paulistanos sem conhecer o Museu do Ipiranga, sua história e o que podemos aprender ali sobre a nossa própria história e, principalmente, sobre o que queremos e não queremos mais para o nosso futuro. (Dani Krause)
www.mp.usp.br
www.chateauversailles.fr

RUA AMAURI

Ela é pequena, charmosa e cheia de restaurantes. Uma das ruas preferidas das fontes que marcam nossos – lembram? -- eternos almoços de negócios. Já passaram pela Amauri (aquela travessinha da Faria Lima) alguns bacanas que fecharam suas portas. Outros, como o Parigi (e seus homens de preto) e o casual Ecco (e seus rostinhos bonitos), resistem. E há sempre os não tão recentes mas recentemente descobertos por mim, como o Forneria São Paolo, que descobri ontem. O lugar é agradável, dá para conversar numa boa (sem ouvir aquele zunzunzun típico numa quarta-feira às 12h30 na Amauri) e o cardápio é suficiente para abrir o apetite. Há sanduíches, os clássicos paninis, saladas, carpaccios, massas e carnes. Dá para fazer combinações também. Indecisa, acabei acatando a sugestão do garçom: penne ao molho de tomates, pedaços de carne e azeitonas. A cumbuca parece – a princípio pequena – mas é funda e satisfez bastante! Foi uma boa pedida e o preço não assusta: 36 reais. O cardápio de sobremesas dispensei, afinal, estamos em época de Páscoa, vou para casa da mãe e o final de semana promete. E o clima aconchegante e simpático contribuiu para esquecer que aquele momento também fazia parte do trabalho. Na Amauri, como disse a própria fonte, até a Pizza Hut fica mais bonita! (Dani Diniz)
Forneria San Paolo - Rua Amauri, 319 -Itaim Bibi - (11) 3078-0099 / 3078-4888

quarta-feira, 8 de abril de 2009

DELÍCIAS DO ORIENTE

Essa moda de Oriente ainda nem estava tão em alta e, um dia, eu cismei de comer kebab. Aqui em São Paulo tem de tudo, tinha que ter um lugar legal. Parecia desejo de grávida (e eu ainda nem sei como é isso!). Fomos até a Kebaberia (com esse nome não tinha erro!). Ainda era um espaço bem pequeno com uns balcões moderninhos e apertados lá na Rua Dr. Renato Paes de Barros. É um prato simples, mas aquele pão fininho enrolando uma ótima abobrinha refogada com queijo e molho de mel me conquistou. Fico sempre impressionada como a natureza nômade dos povos do Oriente gerou uma tradição gastronômica de comidas práticas de fazer e de transportar, sem deixarem de ser deliciosas. O kebab é um exemplo perfeito disso, tanto que hoje é uma típica comida de rua, super contemporânea e de acordo com a correria do mundo moderno. Não resisti e pedi outro (pequeno!). E depois um de banana com nutella pra finalizar (também pequeno!). Ótimos. Disse meu marido que o de pernil de cordeiro também estava muito bom. Ah, e os preços eram muito justos (ainda são, segundo o cardápio do site). Um bom lugar para levar aquele seu amigo canguinha. Sabe aquele tipo que quer sempre levar vantagem na “relação custoXbenefício”? Sabe, Gui?... hehe. Ainda não fomos ao novo espaço na Joaquim Floriano, mas, pelo que vi no site, deram um excelente upgrade, decorando a casa nova num estilo bem oriental (tudo a ver). É... fazer o quê? Agora estou praticamente obrigada a ir lá de novo, conhecer as novas instalações e... já que estaremos ali mesmo, dar uma provadinha nas anunciadas novas opções do cardápio. Mas quero conhecer um outro lugar recomendado pelo Guia Quatro Rodas: o Kebab Salonu. Parece ser um lugar com uma comida mais elaborada. O pessoal do restaurante diz fazer uma "releitura da culinária do Oriente Próximo, Norte da África e Península Indiana", sendo também um Café Turco com bebidas exclusivas. Uma amiga disse que lá tem um couscous marroquino fantástico. Vou saber como é e depois eu conto tudo... Mas se você for lá primeiro, me conta correndo?! (Dani Krause).

CINDERELA MODERNA SOFRE!

Depois de alguns dias seguidos vindo de táxi para o trabalho, hoje decidi pegar o ônibus. E de salto. O desafio maior não foi esperar o ônibus, pegá-lo ou esperar suas paradas no caminho até à Editora Abril. Não. O desafio maior foi andar da minha casa, na Rua Piauí, até a Av. Angélica. Uma linha reta, é verdade. Mas cheia de buracos, ladrilhos soltos e calçadas despedaçadas. Um prato cheio para o saltinho. Contei três tropeções até chegar a meu destino. E não sou daquelas que caem fácil. O problema foi enroscar nos espaços das calçadas o salto e me equilibrar tentando achar um espaço liso ao lado. Andar em São Paulo de salto tem dessas. Quando fazia o trajeto da Paulista (antes da reforma) enrosquei várias vezes o sapato no tal ladrilho português que cobria a Avenida. Graças a Deus cimentaram tudo aquilo. Um alívio para minhas caminhadas na Paulista. Deveriam fazer o mesmo em várias calçadas, facilitando o vai-e-vem dos pedestres, estes que sofrem também com o tempo dos semáforos. Os minutos que se espera para atravessar qualquer cruzamento em São Paulo deveriam ser computados no relógio antes de assumirmos compromissos. Dependendo do local, é fácil perder mais de cinco minutos. Mas isso já é assunto para um próximo post! (Dani Diniz).

terça-feira, 7 de abril de 2009

RARA ALEGRIA NO PARQUE

O Parque do Ibirapuera é a redenção dos paulistanos e o passeio mais óbvio ululante da cidade. E nem por isso menos delicioso. Dar voltas e mais voltas ao redor daquele lago sob aquelas árvores velhas conhecidas é algo que já faz parte da essência de São Paulo. Mas há tanto para ver e fazer ali... Entre os prédios do Niemayer, a Oca e o Pavilhão da Bienal, fica o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) com um acervo permanente de quase 5 mil obras datadas a partir do início do século XX. E bom é terminar a visita passando na lojinha do museu: um ambiente agradável para folhear uns livros de arte com calma e escolher um souvenir, uma gravura das obras do museu para colocar em casa ou até um presente diferente dentre os objetos da grife do MAM. Antes de entrar no museu, porém, vale passear pelo Jardim das Esculturas, um espaço com intervenções de artistas famosos bem no meio do paisagismo de Burle Marx. Tem, também, o Auditório Ibirapuera, com shows e apresentações numa arquitetura que foi considerada um dos prédios mais “cool” do mundo! Agora, onde era a Prodam, bem ao lado do Museu AfroBrasil (que também vale uma visita), a Prefeitura promete inaugurar o Pavilhão das Culturas Brasileiras (previsão para 2011), um novo espaço que somará acervos de outros museus (como o Museu de Folclore, por exemplo) e concentrará tecnologia e novas aquisições de peças para destacar a cultura popular brasileira. A ideia é incluir desde o maracatu até o melhor do grafite, do hip hop e da street dance e mostrar a riqueza cultural do nosso país de uma forma acessível. Além disso, há coisas para rever. Como o Monumento às Bandeiras de Victor Brecheret (a obra levou quase 30 anos para ser feita por um ícone da escultura do século XX e merece uns poucos minutos da nossa “preciosa” atenção. Sem subir nela, pelo amor de Deus!), o Viveiro Manequinho Lopes, o Pavilhão Japonês e o Planetário, que está reformado e continua me encantando como da primeira vez com o passeio da escola. Tudo tem cara, cheiro e gosto de manhã de domingo pra mim: os esportistas de final de semana, a muvuca dos milhares de visitantes por dia, os atropelos de bicicleta, o pessoal nas quadras de basquete, o sorvete de três cores (sabe-se lá em que condições aquilo é feito?! haha), a cachorrada e o pessoal dormindo sobre a grama. E eu adoro. Acaba sendo o mesmo lugar e sempre diferente, com a possibilidade de ter contato com experiências humanas únicas. Foi o que aconteceu da última vez em que estive lá. Algo bem prosaico que me fez refletir muito: estávamos caminhando no parque quando uma menininha, andando de bicicleta, passou à frente de seu pai e de sua mãe bem ao nosso lado. Reparei bem nela porque tinha uns cachinhos fofos que balançavam muito. De repente, ela virou para trás e disse toda alegre: “Nossa, mãe, como o papai está feliz hoje, né?!”. Fiquei triste. Deve ser raro ela vê-lo assim... (Dani Krause)
www.mam.org.br
www.auditorioibirapuera.com.br
www.travelandleisure.com/slideshows/worlds-coolest-buildings/2
www.museuafrobrasil.com.br
www.prefeitura.sp.gov.br/planetarios

domingo, 5 de abril de 2009

ALMOÇO MICADO

Infelizmente, não dá pra ficar só elogiando. Às vezes há experiências não tão boas que merecem ser comentadas. Hoje fomos almoçar com um casal de amigos queridos na Vila Madalena. Apesar de conhecermos de outros carnavais a lotação quase asfixiante e o atendimento sofrível do Galinheiro Grill, queríamos muito comer um franguinho e aquela ótima polenta com queijo parmesão ralado. Fomos, então, saber da fila e ela era de, no mínimo, quarenta minutos. Estávamos quase desmaiando de fome e não ia rolar esperar. Andando pela mesma Rua Inácio Pereira da Rocha, chegamos a um lugar relativamente novo: o San Sebastian. O espaço é bem bacana, tem uma produção própria de chopp (Alles Bier) e se gabam de estarem 24h abertos. A questão é que para abrir a porta de um estabelecimento é preciso estar 100% preparado em todos os sentidos e definitivamente eles ainda não estão. A ideia de um preço fixo a R$30,00 para buffet de saladas e rodízio na mesa com 3 tipos de risotos, 2 de massas e 2 grelhados é realmente boa. Mas... a variedade das saladas é fraquíssima e para que as comidas quentes chegassem a nossa mesa foi um sufoco. Os garçons e atendentes até pareciam empenhados, porém, muito atrapalhados. Está certo que tinham feito uma reserva para um almoço de um grupo grande, mas o salão não estava nem perto de estar lotado e, ainda assim, estavam correndo para todos os lados, atrasando entregas de pedidos de bebida, esquecendo de servir pessoas da mesma mesa e demorando demais com a conta. Talvez tenha sido só um dia ruim e pode ser que à noite, na hora da balada ou pós balada, com o pessoal nas mesas com saída automática e marcação de choppes fique mais interessante, mas, para mim, desta vez, não valeu a viagem. (Dani Krause)

sábado, 4 de abril de 2009

DIVERSÃO MÓVEL

Assim como os bancos da varanda, nossa mesa da sala de jantar foi “herdada” da minha cunhada. Mas já está meio bamba e grande demais pra nossa casa. Então, sem muita pressa de resolver (porque ainda não temos toda a grana pra pagar), fui dar uma olhada por aí. Adoro os móveis do Fernando Jaeger e me arrisquei numa visita. Achei tudo lindo, principalmente a mesa Donna e a cadeira Nô. E sabe que os preços não são muito diferentes de TokStok, Etna ou Casablu?! A diferença, talvez, fique no número máximo de parcelas que essas lojas maiores conseguem fazer, mas eu achava que os preços seriam muito mais altos do que realmente são em vista da qualidade. A loja da Rua Coronel Melo de Oliveira é pronta entrega e não tem tudo, mas tem muita coisa interessante por preços com ótimos descontos. Para quem está decorando a casa toda vale passar lá para dar uma fuçada. A loja da Rua Tavares Bastos (também na Pompéia) é super completa e você pode encomendar os móveis em outras medidas que sejam mais adequadas. O atendimento foi ótimo. Nada daquela soberba chata de loja de designer. Depois, fui até a Vila Madalena (só pra variar...), na Decameron Design. Achei uma mesa linda (Prana) e cadeiras bacanas sem serem incompatíveis com a decoração da minha casa (Trapézio). Incompatíveis mesmo só os preços. Mas a loja é incrível. Tem umas coisas malucas por lá (só podia ser invenção de designers holandeses... que diga meu amigo Röel!). Imaginem: encostos de cadeiras antigas para colocar num tronco de árvore ou um balanço com espaço para plantas de verdade para colocar no meio da sala ou na varanda de casa? Pois lá tem. E tem muito mais! Capachos em formato de coelho ou hipopótamo, uma cadeira de metal leve que você “molda” com umas marteladas (pode servir também pra descarregar a raiva do trânsito, do chefe, do seu time que perdeu... poderia chamar cadeira descompressão. Adorei!) ou uma luminária de garrafa de leite e várias coisas legais que podem transformar o dia a dia numa experiência muito divertida. (Dani Krause)
www.fernandojaeger.com.br
www.decamerondesign.com.br

quinta-feira, 2 de abril de 2009

MUNDO DOS PÃES

Desde que tenho alguma lembrança desta vida, vejo minha avó sentada em frente à TV todas as tardes, com um papelzinho e uma caneta nas mãos, anotando alguma nova e maravilhosa receita daqueles típicos programas femininos. Receitas que ela não só arquiva como faz todas divinamente (para a desgraça de qualquer tentativa de dieta da neta). Mas de todas as mil receitas que ela já deve ter visto, anotado e preparado, sem dúvida nenhuma, os pães, bolos e doces do Benjamin Abrahão são seus preferidos disparado. Assim, com tal excelente recomendação, para mim é fácil entender porque a padaria dele foi eleita por anos consecutivos a melhor de São Paulo. A primeira que ele abriu, em 1976, chamada Barcelona, já é um patrimônio de Higienópolis bem em frente à FAAP. A Benjamin Abrahão Mundo dos Pães, que hoje é tocada pelo seu neto Felipe, além da matriz na Rua Maranhão e de uma filial lindíssima na Rua José Maria Lisboa (Jardim Paulista), tem outras unidades pela cidade, inclusive no Mackenzie (ai, que saudades da faculdade que me deu agora...). Como estou trabalhando perto da Rua Maranhão, passar ali pelo menos uma manhã por semana e tomar um capuccino com um mini croissant de chocolate (pedir o mini é só hipocrisia da minha parte, porque eu comeria fácil um grandão) faz meu dia começar infinitamente melhor. E, claro, não saio de lá sem um pouquinho de pão de queijo e croissant de goiabada para o lanche da tarde do pessoal do escritório. O pão caseirinho, os suspiros de vários sabores, a ciabatta recheada de queijo e tomate seco e a rosca de nozes... tudo lá é delicioso. E, além de levar, você pode provar ali mesmo, basta pedir no balcão (eles não têm atendimento nas mesas) e sentar numa das cadeiras que ficam do lado de fora. Então, se você passar por ali um dia, aproveite e pare só uns minutos (eles têm manobrista e estacionamento). Se dê o direito de apreciar um pãozinho ou um doce com um café ou um suco de melancia (que é ótimo) e curta o lugar. Leia um livro, uma revista, ligue para um amigo com quem você não fala há séculos ou acompanhe as figurinhas de Higienópolis passeando com seus fofos e bem tratados cachorros de apartamento. Apesar de ter adquirido um status de boulangerie e ser super bem frequentada, os preços não são exagerados e, pelo menos pra mim, nunca vai deixar de ser uma boa e velha padoca. Tenho certeza que o próprio Benjamin, lá no paraíso dos padeiros geniais, preferiria assim... (Dani Krause)
www.barcelonapaes.com.br
www.benjaminabrahao.com.br

DOCE CANTO DE HIGIENÓPOLIS

Hoje pensei que iria encontrar uma grande amiga de manhã. Daquelas amizades de infância em que o tempo não destrói mas a distância prejudica. Não deu certo. Ela se enrolou no curso que está fazendo perto da minha casa e eu acabei tomando café sozinha. Não foi terrível, afinal estava num cantinho charmoso do meu bairro, Higienópolis. E é sobre esse cantinho que quero falar – entre as ruas Pará e Itacolomi. Aos poucos, esse canto foi recebendo vários lugares gostosinhos e bacanas. O restaurante Ici Bistrô foi um dos primeiros. Depois veio a Dulca, uma confeitaria tradicional paulistana, onde eu tomei meu café. O folheto diz que ela existe desde 1951 e seus mini doces são o que há de melhor por lá. Tomar um café acompanhada de um mini sonho, por exemplo, mata a gula sem peso na consciência. Fora que tudo é tão charmoso que faz bem para os olhos. Em época de Páscoa, o pequeno jardim está enfeitado de ovos e há galinhas de cerâmica pintadas de diferentes cores e de todos o tamanhos, cheias de ovinhos. Um presente diferente para o domingo de Páscoa. Ao lado da Dulca, na própria Rua Pará, um cubículo que cheira chocolate, com mesinhas na calçada, também instiga a curiosidade. É o choco.lab. Lá estive apenas uma vez mas valeu muito a pena. Tomei um café (já deu para notar que sou apaixonada por café) com uma trufa de chocolate meio amargo com laranja. Deliciosa. É possível encontrar vários tipos de chocolate por lá, com suas explicações de origem, teor de cacau etc. Um paraíso para os chocólatras. Sem sair da Rua Pará, também esquina com a Itacolomi, e bem em frente à Dulca, a Mercearia do Francês caiu no gosto do público de Higienópolis. Sempre está lotada. A fórmula foi bem feita: um ambiente agradável, com parte das mesas ao ar livre, e um cardápio simples mas gostoso que vai de sopas, massas até, claro, crepes deliciosos (o cardápio está disponível no site). Tem um porém apenas. À uma da manhã eles viram abóboras e começam -- delicadamente – a expulsar os clientes, limpando mesas e virando cadeiras para cima. Um jeito francês de dizer “tchau”. (Dani Diniz)

terça-feira, 31 de março de 2009

VOU DE TÁXI

O trânsito é uma característica de São Paulo. Negativa, é verdade. E hoje não existem mais picos. A qualquer horário, em qualquer dia, faça chuva ou sol, estamos sujeitos a ficar engarrafados, entediados, enervados e todos os ados possíveis. São muitos os fatores que tornam o trânsito caótico: o inchaço da cidade, a falta de transportes públicos adequados (eles até existem mas em quantidade irrisória) e, também, a cultura do brasileiro de pegar carro para tudo. As facilidades dos últimos anos para se comprar um carro foram tão agressivas que todo mundo passou a fazer mil parcelas de alguma coisa para quê? Comprar um carro e, claro, entupir um pouco mais a cidade. Não, não sou contra os automóveis. Apenas não dirijo. Sou uma das poucas pessoas (do meu meio) que 1) usa ainda os ônibus de São Paulo; 2) anda – muito – a pé e 3) usa e abusa do táxi. E da janela do táxi observo a quantidade de pessoas por veículo. E registro aqui: em 90% das vezes, encontro uma pessoa por carro. Isso mesmo. Uma!!! Se cada um pensasse em de vez em quando usar o ônibus, oferecer caronas, pegar caronas, andar ou usar o táxi, quem sabe, o trânsito seria um pouco menos caótico. O táxi é caro? Sim, é caro, especialmente quando comparamos com outros países da América Latina. Mas coloque na ponta do lápis o que você paga com gasolina, seguro de carro, estacionamento, IPVA....e, claro, o estresse de ficar parado e ainda nem poder usar os corredores! Pense bem. Da janela do táxi, São Paulo fica até mais bonita. (Dani Diniz)

UM NOVO VELHO OLHAR SOBRE A CIDADE

Há muitos anos, meu pai, um paulistano mais apaixonado pela cidade do que eu, me levou para fazer um passeio no Centrão. Era domingo e saímos cedo de casa. Metódico como só ele consegue ser na vida, organizou tudo com dias de antecedência, me perguntou umas vinte vezes se tinha feito xixi antes de sair (e eu já tinha 18 anos!... haha) e se eu não estava levando nada de valor. Não, não levei nada de valor, mas trouxe um monte de experiências valiosas de lá. Andar pela cidade silenciosa é estranho e até um pouco assustador, mas, ao mesmo tempo, te traz uma paz de um tipo quase desconhecido. Claro que tudo depende do seu modo de olhar. Você pode enxergar só a sujeira nas ruas, as pichações e a miséria ou reparar na arquitetura funcional de Ramos de Azevedo, no lindo Teatro Municipal, no antigo prédio da Bolsa de Valores, no primeiro prédio com elevador construído no Brasil, no pátio do colégio que deu origem a enormidade que esta cidade é hoje, na história gravada na Rua da Quitanda, na beleza artística do ferro no Viaduto do Chá e em tantas outras milhões de coisas interessantes que te transportam para uma outra época, quase num outro mundo. Eu não conseguia parar de imaginar as mulheres com seus vestidos, os homens elegantes com chapéus e bengalas e os carros antigos passando por mim. Já se passaram 12 anos e eu jamais esqueci aquele passeio gratuito e enriquecedor. Talvez, naquele dia, meu pai tenha me mostrado muito mais do que a história de um lugar, tenha me ensinado a ser mais condescendente e amorosa com a minha cidade. Experimente. Convide seus pais, seus avós (ah, estes devem ser excelentes guias!), seus irmãos e amigos para uma experiência turística na sua própria cidade. E vá de metrô (carro ali no Centro, nem pensar). Na Estação da Sé tem um balcão da Turismetro e todos os sábados e domingos (saídas às 9h e 14h) eles fazem 6 tipos de passeios guiados pela cidade (melhor chegar um tempo antes para se inscrever). Deixe o preconceito de lado, pesquise, organize o grupo e, por favor, faça xixi antes de sair de casa! (Dani Krause)
www.metro.sp.gov.br/cultura/turismetro/turismetro.asp

segunda-feira, 30 de março de 2009

ETERNOS ALMOÇOS DE NEGÓCIOS

Não dá para fugir. São Paulo respira trabalho. Trabalha-se muito, o tempo todo, inclusive durante o almoço. Pela minha profissão, acabo almoçando muito fora. Afinal, pauta boa está na rua (e não no cubículo frio dos prédios pseudointeligentes). Não é diferente para advogados, administradores, empreendedores etc. O resultado disso é simples: vários restaurantes lotados de pessoas que fecham (ou abrem) negócios, fazem reuniões, discutem possíveis projetos e, como eu, caçam pautas. Acontece que nem todo almoço rende – seja porque a pessoa não agrega ou porque a conversa não rende – fica no típico mais do mesmo. Os motivos podem ser vários, só não pode ser porque o restaurante não presta. Se é para trabalhar durante o almoço, que seja num local agradável, que tenha uma boa comida, um bom serviço, um ambiente gostoso. Ou, ao menos, um desses benefícios. Prometo que, aos poucos, vou citando alguns dos bons lugares que encontrei para almoçar, saindo ou não de lá com boas ideias. Deixo já aqui três sugestões diferentes. O Quinta do Museu, que pertence ao Museu da Casa Brasileira, vale pelo ambiente. Parece que você está num quintal de vó, mas daquelas avós que têm casarões no interior, que fique bem claro. Nem parece que o endereço é a Faria Lima. Para um almoço de negócios, vale quando se quer quebrar o gelo ou quando o convidado for alguém menos formal. Afinal, ele fica ao ar livre. Nada de madeiras, granitos e luxo. Se você procura um ambiente mais luxuoso, indicaria o recém-inaugurado Kaá, na JK. Apesar de o serviço ainda estar em, digamos, fase de adaptação (assim como o site), a comida é ótima e a parede de não sei quantas espécies de plantas é simplesmente maravilhosa. Dá vontade de ter uma em casa. Para finalizar, um lugar em que o serviço é ótimo e a comida é muito bem feita é o Aguzzo, em Pinheiros. Conheci durante os sábados de MBA, ali na FIA, e me encantei com os pratos e o atendimento. O local é aconchegante e foge da muvuca das grandes avenidas. Indicado para quem quer comer bem e não se estressar com o trânsito. (Dani Diniz)
www.quintadomuseu.com.br

BEBÊS PAULISTANOS

Ok, eu confesso: estou mesmo com aquele “impulso maternal quase descontrolado” (a chegada aos trinta anos causa essas coisas na maioria das mulheres). Por isso, comecei a reparar, juro que até meio sem perceber, nessas coisas de bebês... berço, preço de fralda, roupinhas. Ah, as roupinhas! Lindas, fofas, enlaçadas e... caras! Socorro! Que pouco pano é esse que custa os olhos da cara? Mas, ainda bem, existe um jeito de ter um bebê ajeitado sem deixar as suas próprias calças na loja. Laura Bierrenbach abriu um espaço diferente no Brooklin: a Bebeleta. Tem umas coisas lindas a preços bastante razoáveis pela qualidade dos produtos. Fiquem tranquilos porque o fato dela ser uma amiga querida e minha madrinha de casamento não influencia o que eu digo a respeito, porque eu não sou nada parcial com essas coisas e confirmo que a loja vale uma visita com toda a certeza. Ela ainda tem um plus bem de acordo com a vida corrida de São Paulo: oferece o envio de kits e malinhas prontas para presentear mulheres que acabaram de ganhar um filhote. Ah, claro, e outro presente legal é o body com o nome do bebê e seu significado. Tudo de um super bom gosto e que vai deixar as mamães de primeira ou várias viagens enlouquecidas. (Dani Krause)
www.bebeleta.com.br

NATUREZA NA VILA OLÍMPIA

Um dos restaurantes Top 10 da minha lista pessoal é, sem dúvida, o Praça São Lourenço na Rua Casa do Ator (segundo o que dizem, São Lourenço seria o santo padroeiro da gastronomia, mas eu não entendo nada de santos mesmo...). Falar desse lugar é "chover no molhado" para quem conhece um pouco mais a cidade, mas não posso deixar de comentar. Descobri o lugar há uns anos tentando impressionar um chefe carioca acostumado só com o bom e o melhor. O ambiente é fantástico, um rústico chique que te deixa à vontade e confortável ao mesmo tempo. É quase inacreditável ter um espaço tão integrado com a natureza no meio da Vila Olímpia. Eles têm pitangueiras, amoreiras, goiabeiras, uma festa verde para os olhos cansados do cinza de São Paulo. Fico sempre pensando que seria um lugar excelente para levar um estrangeiro, por exemplo. Porque além do ambiente ser único, a comida é uma delícia completa. Nunca provei os pratos a la carte da noite, mas o buffet do almoço, com uma cozinha caseira e ao mesmo tempo incrementada, tem um toque diferente porque os pratos são finalizados no forno a lenha. Mas as frutas grelhadas com sorvete são mesmo o gran finale para mim. É um espaço para ser curtido por algumas boas horas, seja para fechar um negócio ou passar um tempo com um amor, amigos e família. Sabe aquele lugar que você não tem a menor vontade de ir embora? Pois é. É assim pra mim. Além disso, aos domingos, tem (ou pelo menos tinha) recreação no espaço externo para as crianças se ocuparem (até eu fico com uma vontade doida de subir na casa da árvore...). E um espaço para eventos, mas dessa parte eu não posso falar, porque nunca testei. Tudo lindo e maravilhoso pra curtir de vez em quando ou num dia bem especial, porque só a conta fica um pouquinho indigesta... (Dani Krause)

domingo, 29 de março de 2009

NOVOS SABORES NA VILA MARIANA

Li sobre uma sorveteria chamada Frutos do Cerrado, que abiu suas portas em São Paulo recentemente, após grande sucesso em Goiânia. Eles vendem sorvetes em sabores bem inusitados para nós paulistanos, como pequi, cagaita e brejaúba (alguém daqui já viu uma cagaita ou uma brejaúba?). Bom, como eu não resisto a lugares nem a sabores novos, convidei meu marido a dar uma passadinha por lá. O lugar é pequeno e bem simples, mas o pessoal coloca uns bancos de madeira na porta e fica parecendo uma reunião de velhos conhecidos que nunca se viram (coisa típica da Vila Mariana). A sorveteria não é exatamente uma boa pedida para pessoas indecisas: eles têm 57 sabores de picolés e mais de 30 de sorvetes de massa! Como alguém pode escolher um? Não vi ninguém ali provando um só sabor. Nós também não resistimos e trouxemos alguns sabores exóticos para casa (eles vendem isopores para o transporte a R$3,00). O fato é que o sorvete é mesmo gostoso, diferente e a um preço justo (R$3,00 o picolé). E tem um valor a mais, porque a utilização dos frutos em escala industrial ajuda a preservar as espécies nativas do cerrado brasileiro. Vale sim conhecer. Além disso, a sorveteria fica na Rua Áurea, 351, colada a um restaurante de comida sulmatogrossense (fiquei curiosa...) e pertinho de um monte de restaurantes e bares legais da Rua Joaquim Távora (que tem todo aquele clima adorável da Vila Mariana e suas casinhas geminadas). Você pode almoçar por ali e depois passar pela dificílima prova de escolher um único e mísero sabor da Frutos do Cerrado ou se empanturrar experimentando vários! Hum, delícia... (Dani Krause)
www.frutosdocerrado.com.br

ECO VILA MADALENA

A Vila Madalena é mesmo um bairro diferente. Simplesmente adoro passear por lá. Curto aquele clima de ser alternativo sem ser totalmente “bicho grilo” (nossa, acho que nem se usa mais essa expressão! Hehe). Um dia desses, saindo do Fórum de Pinheiros (eu sou uma entre os muitos mil advogados de São Paulo), me deu uma vontade quase incontrolável de visitar a Livraria da Vila (se você não conhece, precisa, imperativamente, entrar lá um dia) e, depois, passar na Deli Paris para comer um macaron de pistache e tomar um café. Como estacionar por ali perto da Deli Paris é uma aventura à parte, tive de deixar o carro afastado. Andando pela Rua Harmonia, passei em frente a uma loja toda arborizada, com um espelho de água em volta. Não resisti à minha curiosidade geminiana e entrei. Fiquei simplesmente apaixonada. A Éden é uma loja muito legal que vende roupas casuais lindas de algodão orgânico coloridas com corantes e pigmentos naturais. Toda a decoração da loja foi feita com base em princípios de sustentabilidade e reaproveitamento de materiais. Assim, além de venderem uma roupa bacana e deliciosa de usar, eles ainda têm consciência ecológica! Não é demais? Mesmo que seja uma junção de atitude positiva e jogada de marketing, vale super a iniciativa. Curioso que, poucas semanas depois do meu passeio, a Vejinha São Paulo fez uma matéria sobre as “lojas verdes” da Rua Harmonia. Acho uma maravilha que vários negócios da cidade estejam entrando totalmente nessa onda de diminuir o impacto negativo de suas atividades no ambiente. Tomara que essa moda pegue. (Dani Krause)
www.edenfashion.com.br
www.deliparis.com.br
www.livrariadavila.com.br

sábado, 28 de março de 2009

OÁSIS PARTICULAR

Nem todo mundo pode ter uma casa com um belo jardim (ainda mais em São Paulo). Nem todo mundo pode ter uma casa de campo para se refugiar nem ir à praia ver o mar a toda hora. Então, como diz a minha sogra, o jeito é fazer do limão uma limonada. E foi isso que eu e meu marido fizemos. Escolhemos nosso apartamento muito mais pela varanda do que por qualquer outro motivo mais pragmático. Gostamos de vivenciar o mundo lá fora. Mesmo que “lá fora” esteja a janela do vizinho bisbilhoteiro ou o terreno invadido por uma cachorrada histérica. Afe! Mas o importante é enxergar o céu, ver a chuva caindo, poder observar a lua cheia subindo, ver o movimento da rua pulsando, esses momentos simples que importam. Assim, arregaçamos as mangas e compramos as madeiras, as pedrinhas brancas, umas plantas (que você pode encontrar em qualquer loja dessas Garden alguma coisa que estão espalhadas pela cidade...), herdamos os bancos da minha cunhada e trabalhamos pra caramba (mas nos divertimos muito também) e montamos nosso oásis particular. Essa aí na foto é a nossa varanda, onde tomamos café aos domingos, espalhamos umas velinhas e curtimos um vinho juntos no sábado à noite, espairecemos cuidando das plantinhas, recebemos os amigos para uns petiscos num dia de calor. E não importa se você tem grana pra contratar um bom decorador para fazer isso por você ou se terá de fazer tudo sozinho (improvisando como nós!), legal é dedicar um tempo para criar um cantinho na sua casa para ser muito especial para você (mesmo que seja bem pequeno e nem seja propriamente uma varanda). Onde você possa relaxar e se sentir positivamente parte desta loucura urbanóide. Acredite: vai fazer toda a diferença. (Dani Krause)
www.leroymerlin.com.br

sexta-feira, 27 de março de 2009

O CONVITE

Passar a noite ouvindo músicas da década de 80, cutucando o colega do lado, elucubrando a vida e bebendo Nestea (isso mesmo, Nestea de limão) pode ser um delicioso jeito de passar o sábado. Se você tem um amigo chinês na turma que decide preparar um bifum e um yakissoba, melhor ainda. Melhor ainda (na verdade)....se ele souber fazer o yakissoba. Victor, valeu a intenção..e o bifum estava gostoso. Acompanhada de um Nespresso delicioso e Royal Blend para o marido, ficamos até às 3 da manhã na casa de um casal de amigos. E foi ótimo. De lá..da varanda da Marcia (ops, desculpa Marcia, não podia perder essa) saiu a ideia desse blog. Dani Krause me instigou o desafio..e por que não? Todo mundo fala de todas as coisas..por que não falar de tudo que você, caro colega, pode fazer em São Paulo. Essa é a ideia. Ou o esboço da ideia. Colocar aqui todos os achados desta cidade que tanto tem a oferecer por todos os preços, para todos os bolsos, e também registrar aquilo que não tem preço. Como a Amizade, por exemplo. (Dani Diniz)

O INÍCIO

Viver em São Paulo não é fácil, cidade de pedra, trânsito caótico, trabalho compulsivo, mas pode ser uma delícia se souber onde, como e com quem procurar. Descobri vivendo aqui desde sempre que é possível achar o melhor de todos e de tudo (mesmo sendo grátis, como a Pinoteca aos sábados) ou o mais simples e agradável que se possa imaginar. Ainda mais quando se tem boa companhia (para, por exemplo, revisitar o MASP num domingo à tarde e ver tudo com outros olhos, mesmo sendo a décima vez que você vai até lá) e excelentes amizades para compartilhar algumas descobertas descoladas (como o café com Baileys e torta de pera da Doceira Brigadeiro num sábado chuvoso). Pensando em dividir um olhar diferente sobre São Paulo, surgiu a ideia de juntar alguns achados e experiências para instigar as pessoas a curtirem a cidade (a dois, a muitos ou sozinhas mesmo). Para isso, convidei uma amiga muito especial (e jornalista talentosa, porque eu não sou boba nem nada) para traduzirmos em palavras as impressões que podem ajudar outras pessoas a curtirem o que São Paulo tem de melhor! Abusem e sejam mais felizes todos os dias! (Dani Krause)