sábado, 24 de outubro de 2009

PASSEIO PELA TEODORO SAMPAIO

Em algum 25 de janeiro (data em que comemoramos aniversário de São Paulo) eu li uma página no jornal que destacava várias coisas típicas do paulistano. Era uma propaganda – não lembro se do Itaú ou Pão de Açúcar. Entres as “paulistanices” estava escrito algo do gênero: paulistano adora babar nos móveis da Rua Gabriel Monteiro da Silva, mas acaba comprando mesmo na Rua Teodoro Sampaio. Admirar os móveis da Gabriel eu faço sempre que passo por aquela rua. Sair para comprar algo – de fato – foi o que fiz no domingo, com meus pais e minha irmã. E foi, claro, na Teodoro Sampaio, a rua que começa ali perto do Largo da Batata (um dia a gente fala dele também) e termina lá em cima, na Doutor Arnaldo. Dominada por lojas de móveis, a Teodoro é o endereço do paulistano que está montando ou renovando a casa. E há também quem goste apenas de passear, olhando o que tem de novo nas vitrines (que era o meu caso). A intenção dos meus pais era ver preço, a da minha irmã era comprar uma mesa de canto. A minha? Só observar. Passamos pela ala das cozinhas, dos sofás, das mesas . A maioria da lojas vende um pouco de tudo, com suas atendentes e calculadoras dividindo tudo em parcelas infinitas ou oferecendo descontos para pagamento à vista. Há algumas lojas mais focadas: de quartos de bebês e cozinhas. E há também as muiiiiiiiiiito focadas, que só vendem prateleiras, por exemplo. No domingo, grande parte das lojas fecha às 19h. Tempo suficiente para entrarmos em umas dez lojas, compararmos preços e, claro, comprarmos a mesinha da minha irmã. Se a casa estiver precisando de uma renvada, vale pesquisar por lá também. (Dani Diniz)

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

10 COISAS QUE AMO EM SÃO PAULO

Já que é para voltar, que seja em grande estilo para que vocês se animem e pensem também naquilo que São Paulo mais oferece de maravilhoso. Troquei mensagens rapidamente com a Dani Krause agora sobre a volta do blog e a ideia de listar aqui as 10 coisas que mais adoro em São Paulo surgiu naturalmente. Segue a minha caprichada listinha. Aguardo a de vocês. (Dani Diniz)

1) Andar pela Paulista numa tarde de férias. A-dor-ro gastar a sola do sapato de uma ponta a outra da Paulista com paradas obrigatórias nas Livrarias Martins Fontes, Fnac e Cultura. Pausa para o café no Fran’s perto da Brigadeiro ou no Café do Ponto no andar de baixo do Center 3. Espiar o burburinho do Conjunto Nacional e observar o movimento das bancas de revistas também fazem parte da rota.
2) O bairro onde moro: Higienópolis. Charmoso, arborizado, cheio de cachorros e sabiás e a um passo do centro. Higienópolis tem tudo ao alcance e jeitão de bairro mesmo. Ótimos restaurantes, um shopping bem completo, uma padaria incrível, as praças Buenos Aires e Vilaboim e quase todos os serviços ali pertinho.
3) Supermercados, farmácias, restaurantes, lanchonetes, bancas de revistas abertos 24 horas. Para alguém que vive sem horários e adora uma madrugada, serviços 24 horas são fundamentais.
4) A Pizza da 1900. Além de ter um valor sentimental (o primeiro jantar com meu marido aconteceu na 1900 da Rua Estado de Israel) eu adoro aquela pizza. A massa não é nem grossa nem fina, ingredientes na medida certa e o atendimento sempre foi espetacular.
5) O luxo dos Jardins. Andar pela Lorena, Oscar Freire, Hadock Lobo e olhar as vitrines de suas lojas chiquérrimas. Pausa obrigatória para o café na Livraria da Vila.
6) A Vila Madalena. Confusa, com seus sobes e desces, a Vila ferve. Os bares, as lojinhas alternativas e a “muvuca cool” sempre agradam.
7) A Sala São Paulo. Linda e sempre palco de excelentes apresentações.
8) O passeio 2 em 1: Museu da Língua Portuguesa + Pinacoteca do Estado. São Paulo também é cultura.
9) O Mercado Municipal – um clichê da cidade, passar no Mercadão para abastecer a ceia de ano novo virou quase um ritual. Comer o pastel de bacalhau também.
10) Feriado. Quer coisa melhor do que fazer tudo isso aí em cima num dia sem trânsito? São Paulo no feriado não tem preço.

VAMOS ADOÇAR O MUNDO!

Hoje eu quero falar de uma coisa que eu adoro – doces – e de uma pessoa que eu adoro – a Flavinha. Eu conheci a Flávia por causa da Tiz, que é uma amiga que conhece todas as pessoas mais legais e descoladas da vida, seja em São Paulo, no Timor Leste, em Paris, no Marrocos ou na Índia. Você conhece alguém que é convidado para casamentos no Marrocos e na Índia? Não? Pois é, a Tiz é convidada direto pra esse tipo de evento. Ela não é o máximo? É sim!
Então, voltando (hoje está difícil), há 3 anos a Tiz teve uma ideia fofa, junto com outras amigas, de me darem um bolo de aniversário especial. Eu faço aniversário em junho e ia cair bem próximo da Festa Junina do nosso grupo (tá, eu sei, que é ridículo, mas a gente ainda faz festa junina e somos felizes assim, ok?) e, naquele ano (o ano que eu casei de verdade), eu ia pagar o mico master de ser a noiva junina e fazer aquela palhaçada toda do noivo fugitivo, do pai maluco e da espingarda de mentira. Aí elas decidiram que iam mandar fazer um bolo de aniversário com dois noivinhos em cima que pareciam mesmo comigo e com o marido, mas ambientados em clima junino total. Olha o bolo aí na foto. Ficou a coisa mais linda e, claro, eu chorei feito uma desesperada com a surpresa porque, não parece, mas eu sou sensível. Quando comemos o bolo descobrimos que, além de lindo, ele era delicioso e eu quis logo saber quem era a artista que tinha feito aquela maravilha (porque tem que ser muito artista pra fazer aquilo).
No caso, era a Flávia Ribeiro de Andrada e Silva (olha que ela é uma Andrada e Silva de verdade, descendente do José Bonifácio e tudo). A Flavinha, que é como eu folgadamente a chamo agora, é a chef boleira, doceira, fazedora de bem casados, cupcakes, biscoitos, doces e de todas as gostosuras mais gostosas da face da terra que eu conheço e ainda é querida, educada, simpática e cumpridora de prazos. Não é o máximo? É sim! Ela faz coisas muito lindas e deliciosas. Não, os bolos de aniversário, infantis, casamento, batizados, despedidas, chegadas e todos os demais que ela faz não têm aquele gosto de pasta americana esquisita que gruda a boca da gente por duas horas. Tudo o que ela faz fica realmente muito saboroso. E ela tem umas ideias ótimas de decoração, personalização e é super caprichosa nos enfeites. Algumas coisas são tão criativas e diferentes que podem ser dadas de presente também, no Natal, na Páscoa, no Dia dos Namorados ou no dia que te der na cabeça dar um presente legal pra alguém especial.
Pra terem mais ideia do trabalho dela, no meu aniversário deste ano ela fez um bolo especial pra mim inspirado no filme “De repente trinta” (sabe aquele que toda mulher nessa faixa etária já viu umas quatro vezes? Esse) e todo mundo adorou na festa, o que rendeu frutos para outro aniversário de amiga, também trintona, que fez um evento meio trash-anos80 e escolheu um bolo em formato de vitrola que ficou muito bacana! Então, hoje, que eu estou toda meiga e docinha (o que é praticamente um milagre), eu quero dar essa dica pra vocês, a empresa da Flávia, a Zuccheria, que tem um nome muito apropriado, porque se tem uma coisa que ela sabe fazer nessa vida é sair por aí adoçando o mundo! No próximo evento, chame correndo. (Dani Krause)
www.zuccheria.com.br
www.flaviaribeiroandrada.blogspot.com

A VOLTA DAS QUE NÃO FORAM ou O ATAQUE DE BREGUICE

"Minhas malas coloquei no chão, eu voltei / Tudo estava igual como era antes, quase nada se modificou / Acho que só eu mesmo mudei, eu voltei / Eu voltei, agora pra ficar, porque aqui, aqui é o meu lugar / Eu voltei pras coisas que eu deixei, eu voltei... larara la ra la ra la ra”. Ai, que nervo que me dão esses meus ataques de Roberto Carlos! Outro dia eu conto como uma vizinha apaixonada pelo Roberto Carlos pode te traumatizar pela eternidade. Voltando...
Cruzes, quase três infindáveis meses sem escrever. Por favor, nos perdoem, pelo menos a mim, porque passei por uma fase de reabilitação do meu espírito indômito. Precisei mesmo, até porque, às vezes, a vida é aquela professora sacana que manda uma prova inteira só com aquela matéria que ela jurou que não ia cair, sabe? Mas, como eu digo sempre, enfim... Enfim, nós de novo por aqui. (Dani Krause)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

SÃO PAULO ENGORDA

Cheguei a conclusão acima ontem à noite e pude comprová-la hoje, no final do almoço. Nesta semana, em especial, estou almoçando e jantando muito fora. E isso – em São Paulo – é um verdadeiro perigo. Segunda-feira, fui almoçar no Chácara Santa Cecília, aqui perto da Abril. O restaurante fica num lugar lindo , numa antiga Chácara que preserva boa parte de verde. A Abril em peso adora almoçar lá porque é perto, é bonito e é, digamos, gostosinho. Durante o dia funciona como restaurante mesmo, com Buffet de saladas, pratos quentes e sobremesa a um preço fixo. À noite, vira balada (e lotada). Terça-feira foi dia de almoçar no Ráscal com duas amigas. Como já escrito pela Dani Krause, lá (embora meu marido adora dizer que não vale o custo x benefício) é uma perdição para quem quer se manter na linha. Você se acaba de comer no Buffet e depois, na onda do “já que estou aqui”, não tem como escapar de pegar uma massinha. Ontem à noite, combinei um jantar com Gláucia, uma amiga de mais de 15 anos. Ela escolheu um restaurante ao lado de sua casa – na Cônego Eugenio Leite, em Pinheiros, o Vinheria Percussi. Resumo da noite: conversa agradável, lugar lindo e prato delicioso. Comi um risoto de bacalhau, com azeitonas verdes, tomates frescos e pinoli. Sensacional! Tirando o couvert, é claro. Pagar 6 reais para comer pão frio com manteiga não dá. Nesse ponto, fico no custo x benefício e da próxima vez vou pular essa parte. Para terminar, acabo de voltar de mais um almoço fora, com uma fonte bem bacana. Fui no Pobre Juan, na Vila Olímpia. Argentino em tudo: nas carnes maravilhosas, no tango eletrônico ambiente, no crepe de doce de leite da sobremesa (esse eu só espiei). O local é muito agradável, a música é ótima e a comida, saborosa. Pedimos empanadas de entrada e optamos pelo menu completo: escolha de uma carne,que já vem com um acompanhamento a escolher, batatas (daquelas que parecem ter vento dentro e crocantes por fora) e ainda uma tigela de salada básica e gostosa. Sem dúvida, esse é um lugar que recomendo muito e devo voltar em breve. Espero ir numa sexta-feira já que disseram que rola um tango por lá às noites. Perfeito. Enfim, hoje é quinta-feira e se eu seguir nesse ritmo até o final de semana preciso fugir de qualquer balança que aparecer na minha frente! (Dani Diniz)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

PARA COMER A QUALQUER HORA

Conheci o Joakin’s no começo do namoro com meu marido (lá pelo final da década de 90). Gostei de cara. Localizado na Joaquim Floriano, miolinho do Itaim, o vulgo JOKA é um clássico da noite paulistana. Funciona desde 1965 e mantém muitos dos seus garçons desde o início. Não só os garçons, mas os clientes também. É possível ver gente de todas as idades com a senha nas mãos, esperando uma mesa para se deliciar com um cheese salada e um milk shake. Há famílias em busca de mesões, casais de namorados ou bando de amigos que saem das baladas e vão reabastecer a energia por lá. Afinal, as portas da casa estão abertas até às 5 da manhã (de segunda à quinta) e até às 6h (de sexta e sábado). Os sanduíches são ótimos (tanto os prontos, quanto os que podemos montar), os beirutes são fartos e o milk shake, na minha opinião, é o melhor de São Paulo. E, para quem preferir uma coisa natureba, também tem pratos, omeletes e sucos naturais. Pra ser bem sincera, porém, ir para lá e não provar o milk shake é um pecado. Não sou de tomar muito milk shake (afinal, calorias aleatórias não combinam para quem passou dos 30) mas quarta-feira, dia 08 de julho, véspera de feriado paulista, não tive dúvida e fui para o Joca. Esperei uns dez minutos com a senha nas mãos e, com água na boca, fiz meu pedido. Um cheese calabresa e, claro, um milk shake de coco. O serviço foi ótimo, foi rápido (como costuma ser). Valeu a pena ter enfiado o pé na jaca. Se você não conhece ainda o Joakin’s perdeu um pedaço delicioso de São Paulo. (Dani Diniz)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

VIAGEM AO CENTRO DA (MINHA) TERRA

Sempre que viajamos para grandes cidades em outros países, saímos cedo, andamos muito (inclusive de metrô), tiramos muitas fotos, nos impressionamos com a arquitetura, com a história do lugar, achamos tudo lindo (até o que não é muito lindo) e voltamos à noite, exaustos e felizes. E foi exatamente isso o que fizemos ontem, só que por São Paulo mesmo. Aproveitamos o feriado para colocar um jeans, um tênis velho e sair por aí para bater perna e aproveitar o dia de sol que fez por aqui. Espírito de turista. A ideia inicial era só matar uma vontade louca de comer o delicioso pastel de bacalhau do Hocca Bar no Mercado Municipal, mas fizemos mais. Muito mais. Eu e o marido marcamos com o papai (o melhor e mais empolgado guia do Centro de São Paulo que eu conheço) para começarmos o dia tomando um café da manhã delicioso no Café Girondino, bem em frente à Igreja e ao Mosteiro de São Bento. Não me canso de ficar encantada sobre como o Girondino é charmoso e de como, abstraindo um pouco sobre os arredores, me faz sentir numa cidade européia, tomando aquele café gostoso e olhando a Igreja pela janela. Andando, seguimos pela Rua Boa Vista e encontramos edifícios maravilhosos de inspiração art nouveau, com vitrais encantadores, que deviam ficar escondidos atrás dos outdoors imensos que dominavam a cidade antes da bem-vinda Lei Cidade Limpa. Chegamos até a Rua XV de Novembro, vimos o prédio da Bovespa e do Banco do Brasil e chegamos até a Praça Antonio Prado, onde é possível encontrar uns quiosques de madeira com engraxataria, telefone público (escrito com ph) e até um coreto! Seguindo reto chegamos em frente ao primeiro arranha-céu da América Latina (30 andares), o Edifício Martinelli, que, apesar de deteriorado e tristemente pichado, ainda guarda o ar de glamour da década de 30, uma beleza arquitetônica indiscutível e com tanto para contar... como a existência de uma construção especial no 26º andar inspirada numa vila italiana, chamada Casa do Comendador, que funcionava como residência da família Martinelli, somente para provar ao povo, na época, de que o prédio era seguro. Ficamos imaginando que aquela construção combinaria perfeitamente em Nova York, onde, certamente, estaria mais conservada e custaria uma fortuna para manter um escritório. Deu até uma tristeza de pensar em como e quanto nosso povo não se preocupa com a preservação de sua história. Descendo um pouco mais, quase chegando na Líbero Badaró, avistamos a antiga sede dos Correios. Um belíssimo prédio. Voltamos até chegarmos à Praça do Patriarca. Uma equipe de filmagens fazia quase magia para que chovesse no meio da praça, mesmo sem uma única nuvem no céu. Reparamos nos detalhes do antigo Hotel Othon, no polêmico arco moderno que colocaram sobre a saída da primeira escada rolante do Brasil, a Residência Artística (onde a FAAP agora – ainda bem – mantém e preserva a história de pintores importantes do século XX que mantinham seus ateliês no local), o prédio da Prefeitura e seu jardim suspenso e, claro, o Viaduto do Chá. Não fomos até o outro lado do viaduto ver o Teatro Municipal e o Shopping Light porque queríamos tomar um café lá no Pátio do Colégio. Pegamos a Rua Direita e fomos até a Praça da Sé. Lá no meio, a imagem do Padre José de Anchieta abençoava a todos e parecia se lastimar pela situação das pessoas que perambulam por ali. Seguimos até o marco zero e o marido logo quis saber para que lado ficava seu amado Rio Grande Sul. Ah, a Catedral da Sé. Linda, grandiosa, robusta, receptiva e sem ser suntuosa demais, o que, a meu ver, combina muito mais com o que pelo menos eu acredito que sejam os princípios divinos. Além dos vitrais, adorei mesmo foi um anjo simples, esculpido na pedra que fica quase escondido numa capelinha lateral. Seguimos até o Pátio do Colégio e, ali, nunca canso de me impressionar com a arquitetura do antigo Tribunal de Alçada (e olha que eu já passei por lá nessa vida, hein!). O antigo escritório de arquitetura de Ramos de Azevedo trabalhou muito na cidade no século passado e deixou sua marca de verdade. Dá pra identificar claramente no que eles colocaram as mãos. Do outro lado, no Museu Anchieta, fizemos uma descoberta maravilhosa. O Café do Páteo é um lugar agradabilíssimo dentro do que seria a réplica da antiga construção do Colégio dos Jesuítas (onde a cidade foi fundada em 1554) e depois tornou-se a sede da Presidência da Província de São Paulo, nos idos da colonização do Brasil. Que delícia aquele lugar arborizado, com mesinhas simpáticas, que serve de ótimo ponto de parada de turistas e passeadores locais (como nós!). Como não tinha entrado ali nunca (porque só passo correndo e morrendo de pressa), nos surpreendemos com o espaço. Pra melhorar, ainda é possível encontrar uma parede de taipas da época da colonização totalmente preservada dentro de um vidro e visitar o Museu Anchieta. Não é nada demais, mas tanta coisa vem à mente olhando aquilo. Como a vida devia ser difícil para o povo que veio habitar uma região até então inóspita e a situação dos índios locais invadidos e catequizados por uma cultura estranha. Quantos conflitos, abusos, boa e má fé fizeram parte da criação do nosso país... Descemos até a Rua 25 de Março que, mesmo sendo feriado e com 80% das lojas fechadas, estava bem cheia (qualquer dia falo mais da 25). Fomos até a Rua da Cantareira almoçar no Mercado Municipal. Esse sim estava lotado. Eu a-do-ro esse lugar. Os cheiros e as cores das frutas, os queijos maravilhosos que eu amo (só lá eu encontro o Rembrandt capa preta holandês!), os temperos perfumados (onde mais se acha marsala por aqui?) e, claro, o fantástico, estupendo e incomparável pastel de bacalhau do Hocca Bar. Nos acotovelamos um pouco, enfrentamos o mau humor alheio na busca de mesas, pegamos uma fila, mas nada nessa vida ia me impedir de saborear aquele pastel ontem. No final deu tudo certo, matei a vontade que estava me matando e almoçamos muito bem. Depois, puxando uma carga extra de energia das pernas do papai, subimos a Senador Queiróz e fomos lá em cimão no cruzamento mais famoso da cidade: Av. Ipiranga x Av. São João. Vimos como o Cine Marabá ficou lindo depois da reforma e ficamos felizes em ver como iniciativas de recuperação do centro da cidade podem dar muito certo, porque estava lotado! Acho que as pessoas estão cansadas de ficarem trancadas sob a falsa sensação de proteção dos shoppings centers. O povo quer mais é ir pra rua de novo! Viva! Terminamos o dia (que rendeu muito) tomando um cremoso chopp Black no Bar Brahma (até eu tomei!) e voltamos para o metrô Santa Cecília pelo Largo do Arouche (que, segundo o papai, já foi chiquérrimo). Ai, como eu adoro aquela escultura do Brecheret ao lado da linda banca de flores em frente ao restaurante Le Casserole. Fico imaginando uma cena romântica do homem saindo do restaurante e voltando com flores para sua amada numa noite especial. É claro que, como em todas as grandes cidades do mundo, em maior ou menor grau, existe poluição, medo, violência, aglomeração, sujeira, pobreza, falta de higiene, bêbados, pedintes, miseráveis, trombadinhas, trombadões e tantas outras coisas tristes. Mas ontem, só por ontem, resolvemos ver São Paulo de um outro jeito: exercitando as pernas e o olhar que só vê a beleza! Foi fantástico. Tente um dia desses. (Dani Krause)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

CENÁRIOS PARA UMA VIDA MAIS FELIZ

É verdade... todos nós temos histórias para contar e, em algumas delas, foi o clima certo que fez toda a diferença. E não é que eu descobri um pessoal aqui em São Paulo que só cuida disso: criar um clima? A DeMeirelles é um misto de loja de decoração, galeria de arte e ateliê de artistas que cuidam de criar um cenário bacana para algum momento especial. Seja para uma festa de casamento monumental ou para um jantar a dois no seu apartamento, a Dedéia Meirelles e sua equipe cuidam dos detalhes para que seja um momento memorável. Para quem está cansado desses eventos sociais meio caretas e quiser contratá-los para criar uma cenografia diferente, tenha certeza de que será algo personalizado e de muito bom gosto. Além disso, todos os objetos de decoração estão à venda ou expostos para locação e são cheios de graça vintage ou meio rústicos e com um plus de engajamento social. Por exemplo, eles têm arranjos florais lindos feitos de retalhos de algodão e renda pela ONG Aldeia do Futuro. E, acredite, não se trata daqueles arranjos de gosto duvidoso de flores artificiais. Fora que toda a equipe é muito simpática e atenciosa. Daquele jeito bom que eu sempre falo aqui de nos fazer sentir em casa, sabe? Dei sorte de ter entrado no ateliê no dia da abertura das portas ao público. Na segunda passada (segundas-feiras viraram meus dias oficiais de ir ao Fórum de Pinheiros resolver as “buchas” e almoçar na Vila Madalena), estavam abrindo as portas e eu fui a primeira cliente deles. Depois de fuçar tudo e bater um papo ótimo, comprei um jogo americano feito de jornal colado e pintado em cores maravilhosas. Meu nome ficou até de aparecer lá no quadro de acontecimentos especiais, mas isso nem importa tanto, porque já senti um prazer imenso em visitá-los e ver tanta gente legal e coisas bonitas e coloridas. Deu até uma vontade meio louca de sair por aí enfeitando o mundo todo, mas resolvi começar só lá por casa mesmo: o cenário onde eu sou feliz todos os dias. (Dani Krause)
www.demeirelles.com.br
Rua Mourato Coelho, 1017 - Tel. 2645-4480
Fotos: Renato Ramalho: www.renatoramalho.com.br

quarta-feira, 17 de junho de 2009

PERUANDO (OU PECHINCHANDO) NOS JARDINS

Sábado fui passear nos Jardins com minha irmã. O dia estava bonito, o sol finalmente tinha aparecido e fomos sem muito destino. Não tínhamos muito tempo pois ela tinha um compromisso às 16h30 e acabamos chegando por lá meio tarde – mais de 12h30. Mas, nessas quatro horas, aproveitamos muito. Primeiro fomos a loja Capezio, na Augusta, pois ela queria comprar roupas de balé e ginástica. E aí começou a minha feliz surpresa. Se você pensa que Oscar Freire e arredores é apenas para dondocas e seus mini poodles na sacolinha que não sabem onde colocar tanto dinheiro, ledo engano. Comprei calça e top de ginástica muito mais barato do que qualquer loja do shopping. Valor dos dois? 60 reais! Andando na própria Oscar Freire entramos na Maria Bonita Extra – quase tudo em liquidação!! Com exceção das peças de seda, a loja estava dando 40% de desconto em quase tudo. Iria levar apenas uma jaqueta mas tinha me encantado por uma blusinha. Estava com 40%, mas mesmo assim, eu achei cara. A atendente não titubeou. Disse que seu eu pagasse a blusa no cheque me dava mais 10% de desconto – e tirou uns quebradinhos ainda. A jaqueta? Pude pagar no cartão de crédito (e, se quisesse, poderia até dividir). Saí de lá feliz e ainda comi os doces juninos que estavam oferecendo aos clientes. Seguindo, já com fome, paramos na Zion. Perguntando o preço de uma malha, a moça logo jogou: estamos com 20% de desconto à vista em qualquer peça até o final do dia! Se você perguntar em qualquer loja de shopping se tem desconto à vista vai ouvir um sonoro NÃO! No máximo, ganha 5% ou a chance de dividir em mil vezes no cartão. Feliz com as compras e com as negociações, segui pela Oscar. Linda, cheia de gente bonita e tudo ao ar livre (isso realmente não tem preço). Paramos para almoçar no Le Buteque, o mini bistrô de Erick Jacquin, na Haddock Lobo. Já tinha ido lá uma vez e gostei bastante das comidinhas . De cara, ele parece mais um café ou confeitaria com suas dezenas de docinhos perfeitos na vitrine. A comida é bem feita e se come, de fato, com os olhos: vêem em pequenas panelas de ferro maravilhosas. Saímos de lá satisfeitas e paramos ainda na Livraria da Vila, na Lorena, para arrematar a tarde com um cafezinho cultural. Foi um dia de peruices perfeito. E fica aqui a dica para quem não agüenta mais os shoppings abarrotados de São Paulo e suas lojas sem criatividade (e sem desconto!). (Dani Diniz)

www.capezio.com.br
www.mariabonitaextra.com.br
www.zionstore.com.br
www.livrariadavila.com.br
Le Buteque – Rua Haddock Lobo, 1416, Cerqueira Cesar

terça-feira, 9 de junho de 2009

DIA DOS NAMORADOS SABOROSO

Ontem passei em frente a uma casinha linda na Rua Mourato Coelho, com um coração enorme pintado e resolvi tocar a campainha e entrar. É a loja da Fernanda Ribeiro, já conhecida no mercado de bolachinhas decoradas. Além de ser muito simpática, ela faz umas bolachas deliciosas de vários formatos e desenhadas com glacê bem delicado e gostoso. Faz até eventos, ensinando a fazer as bolachas decoradas em festinhas infantis, chás ou reuniões descoladas. Achei bem interessante. Na loja tem bolachinhas de todos os tipos e formatos: flores em palitos, corações, motivos de bebês para maternidade, sapatos, bolsas, vestidos, marcas comerciais e, agora, para este Dia dos Namorados, ela inventou algo realmente novo. A primeira novidade é um conjuntinho de bolachas quadradas de baunilha com motivos vintages românticos que eu adorei. Olha que fofura na foto. Dá até pena de morder. A outra novidade é só para os mais atrevidinhos: uma linda caixa de coração com bolachinhas de especiarias afrodisíacas em formato de posições do Kama Sutra!! E o que poderia ser meio vulgar ficou super divertido. Muito diferente. Uma ideia para fugir dos tradicionais bombons de chocolate e ainda inspirar uma noite bem romântica para os apaixonados. Enjoy. (Dani Krause)
www.bolachasdecoradas.com.br
Rua Mourato Coelho, 1.134 - (11) 3815-3757





segunda-feira, 1 de junho de 2009

MÚSICA (BOA) PARA OS OUVIDOS

Sexta-feira foi dia de ir à Sala São Paulo, no centro paulistano. Linda, desde que foi reformada, vale a pena ir até lá só para se deslumbrar com a arquitetura. Mas quem gosta de música clássica vale ir para muito mais. Lembro uma vez um professor insuportável na faculdade que (para acabar com qualquer autoestima da classe) disse que após ler nossos textos, ele precisava se “purificar” nos livros de Machado de Assis. Claro que isso marcou. E sexta na Sala São Paulo, lembrei disso. A boa música purifica meus ouvidos. É como me livrar de tudo que está ao redor e só me prender ao som perfeito. Não sou entendida de música e não toco (infelizmente) nenhum instrumento. Mas gosto de ouvir e sou curiosa. Queria ver a performance (e o comportamento) do novo regente da Osesp, o francês Yan Pascal Tortelier e ouvir o também francês violoncelista Xavier Philips. O melhor da noite foi o solo de Philips, tocando, claro, Bach, meu preferido entre tantos gênios. Deslumbrante. O regente se mostrou bem empolgado em sua posição de líder. Pulava tanto que achei que iria cair. E tudo soou perfeito. Para concluir a noite paulistana, advinha? Pizza em casa. Afinal, estava tarde, estava frio e não dava para ouvir qualquer música de boteco depois da Sinfônica. Com todo respeito, é claro. Afinal, sou bem eclética. Consigo ouvir Bach por horas e também cantar todo o repertório do Roupa Nova! (Dani Diniz)

domingo, 31 de maio de 2009

TRIBO NATUREBA

Hoje quero dar uma dica de um lugar muito simples com uma comida natural muito boa. O restaurante chama Tribos Moema e praticamente todos os sábados estamos almoçando por ali (outra tradição que estamos criando). O esquema é de um buffet sem frescura e muito bem servido de saladas bem preparadas, massas integrais, peixes com molhos saborosos e carne vegetal em apresentações mais apetitosas do que o normal. As opções são excelentes e com um temperinho especial que não deixa a comida natural sem gosto. É realmente muito gostoso. Algumas sobremesas valem ser provadas, especialmente as mais simples, como a salada de frutas e a gelatina colorida (igual àquelas que as vovós faziam antigamente pra gente, sabe? Isso é que é memória emotiva...). Se a fome for grande demais, vale pagar o preço do buffet livre para comer à vontade, incluindo sobremesa, mas, em geral, dá pra ficar muito satisfeito com um prato só, que, pesando, sempre sai por menos do que o preço fixo. Gosto muito dos sucos naturais: nada de fruta congelada e podendo fazer a mistura que quiser. Enfim, um lugar muito “lá em casa”, com comida boa e preço justo. Uma boa sugestão é dar uma caminhada no Ibirapuera de manhã e depois passar por lá para um almoço mais leve. Comidinha natureba gostosa para não dar nenhum peso extra... na consciência. (Dani Krause)

sábado, 30 de maio de 2009

UMA NOITE BEM PAULISTANA

Ontem fomos fazer um programa tradicional que há alguns meses não fazíamos. Aproveitamos a noite fria e chuvosa de sexta-feira para jantar e ir ao cinema no shopping perto de casa. Acho que todo mundo acabou pensando a mesma coisa, porque estava bem lotado. Afinal, tem coisa mais típica de paulistano? Ainda bem que chegamos mais cedo e conseguimos uma mesinha no Ráscal sem pegar a fila de espera. Eles tem pizzas boas e ótimos vinhos, mas gostamos mesmo de lá porque o buffet revela-se uma excelente opção na relação custo x benefício. Além disso, o atendimento é sempre fantástico. Adoramos a mesa de antepastos e saladas variadas e fresquinhas: a rúcula baby, o cuscuz marroquino, saladas bem temperadas e diferentes, a quiche de verduras e muito mais. É comer pra se regalar mesmo. E, depois, ainda tem a ilha de massas e carnes. Normalmente eu como sempre a mesma coisa: ravióli Ráscal (massa verde recheada com mussarela de búfala) com molho de tomate fresco e polpetone. Ontem resolvi dar uma variada. Comi ravióli de pato com purê de maçã e, claro, um polpetone pequeno. Sempre tem alguma opção diferente, como cordeiro e uma massa especial. Delícia. Agora, delícia mesmo, quase uma dica imperdível, é a torta de goiabada Ralston com sorvete de creme. Maravilhosa. A torta de maçã clássica do restaurante, aquela grandona que parece com as tortas do desenho do Pica-Pau (lembra?), também é muito boa, mas eu ainda prefiro a de goiabada. As sobremesas são muito bem servidas e podem ser divididas. Felizes e de barriga cheia, fomos pegar um cineminha do circuito comercial mesmo. Nem sempre o filme agrada muito, mas para apaixonados pela telona, como eu e o marido, está sempre valendo. Ótimo jeito de começar o final de semana. (Dani Krause)
www.rascal.com.br

sexta-feira, 22 de maio de 2009

POR TRÁS DO CEMITÉRIO

A pedido da Anne, vamos lá falar de um outro canto de Higienópolis – a Rua Mato Grosso, bem atrás do cemitério da Consolação. Lá, toda sexta-feira tem feira. E das boas. Mas não é disso que vou falar e sim da quantidade de casinhas reformadas que viraram restaurantes charmosos e gostosos nos último anos. Fui no Anita (citado aqui pela Anne) logo após sua inauguração e a-do-rei! Pedi, claro, o galeto (que na época ficava exposto bem em frente ao restaurante, na calçada, no maior estilo televisão de cachorro) com batatinhas no alecrim. A tal televisão saiu da calçada (dizem que pela vigilância sanitária) mas o restaurante continua cheio. As paredes são muito bem decoradas, assim como as mesas, o estofado das poltronas e a louça. É possível comer, conversar e ao mesmo tempo assistir à chefe cozinhar numa espécie de vitrine no final do salão. A casa é pequena (e por isso lota fácil) e, como escrito pela Dani Krause, já funcionou como um bordel em décadas passadas. Para não ficar só no Anita, vamos falar de outras casinhas reformadas perto do Cemitério. O minúsculo Bar Higienópolis tem um bom atendimento mas um cardápio limitado. E, como o próprio nome diz, está mais para um boteco do que para restaurante. Fui lá na festa de aniversário de uma amiga e curti o espaço. Seguindo ainda pelo muro do cemitério, temos duas outras opções: uma ótima e outra (para meu paladar e senso crítico) péssima. O ótimo é o AK Delicatessen. O nome do restaurante são as siglas da premiada chef Andrea Kaufmann. O espaço – assim como o Anita – é fruto de uma reforma de uma das casinhas em frente ao cemitério. Pequeno, aconchegante, charmoso. Cardápio farto e bem feito, atendimento ótimo e um couvert muiiiiiiiiito bom. A péssima opção é o Antonieta. Não preciso repetir que a casinha também foi reformada e, sim, é muito bonitinha. A reforma ficou ótima, a decoração toda rosa é charmosa, os móveis à La casa de vovó também. Mas a comida......Demorou quase uma hora para chegar um spaghetti ao pomodoro. Sim, daqueles bem simplesinhos de fazer: molho básico de tomate e uma folhinhas de manjericão. Não lembro o preço mas achei tudo caro para algo tão caseiro (os outros pratos do cardápio não passavam do óbvio ululante da culinária italiana). Não sou nenhuma mestre cuca, mas minhas massas são melhores do que da Antonieta. Anne, aguardo seus comentários! (Dani Diniz)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

GREGOS E TROIANOS

Alguns momentos, situações ou pessoas são meras passagens nas nossas vidas. Outros, porém, podem nos marcar definitivamente e deixar uma carga emocional importante na nossa história e em quem somos e no porquê de sermos o que somos. Eu estava pensando exatamente nisso enquanto via, emocionada, uma linda, corajosa e grande amiga de infância entrar vestida de noiva na Catedral Ortodoxa, ali na Rua Vergueiro (aliás, é uma igreja que merece ser visitada). Ah! Quantas lembranças... Os dias de escola ali no Colégio de Santa Inês (centenário!) no Bom Retiro, as brincadeiras, os ídolos das novelas e dos cinemas, os namorados, decorar letras de música em inglês, encapar o fichário, o primeiro beijo desejado (e às vezes nunca dado), os dilemas deliciosos de uma outra época. E foi lá, nessa época, que tive a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade de uma forma muito peculiar e que, pra mim, tem muito a ver com o jeito dessa cidade que tanto me encanta. Descendente de italianos e estudando num colégio católico de freiras, convivi com a família grega da Aretusa (essa minha amiga que casou) e outros amigos, como o Ioannis e o Demétrios (todos de origem grega), mas, também, com coreanos, judeus, libaneses e até búlgaros, sempre de forma absolutamente tranquila. Lembro de me assustar quando o papai me explicava o motivo das guerras que víamos pela televisão, porque eu achava que o mundo, na verdade, deveria ser um grande Bom Retiro, onde todas as pessoas convivessem pacífica e respeitosamente nas suas diferenças. Íamos à escola ali, mas também comíamos uma bureka à tarde na Casa Búlgara sem entender patavina do que a senhora do caixa falava, comprávamos canetinhas e papéis de carta nas lojinhas dos coreanos (que só não falavam português na hora de dar desconto... hehe), pegávamos ônibus lotado na muvuca das lojas da Rua José Paulino, ouvíamos o chamado pro shabat vindo da sinagoga no pôr-do-sol da sexta-feira e muito mais. De pensar em tudo isso, não resisti e, no dia seguinte ao casamento da Arê, resolvemos prestar uma homenagem à minha amiga e ao passado. Fomos almoçar no famoso e tradicional Acrópoles na Rua da Graça. Sempre digo que lá é o restaurante grego mais grego do mundo, porque eu duvido que mesmo na Grécia exista algo assim, com todas as comidas típicas reunidas num só lugar. Fundado em 1959 pelo Sr. Thrassyvoulos Petrakis (fala isso rápido sem enrolar a língua!), vulgo "Seu Trasso" (bem mais fácil e carinhoso...), o restaurante é tão especial que está até no livro “1000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer”. E dá pra entender o porquê. O restaurante é muito simples e acolhedor, assim como o Seu Trasso, que nos recebeu na porta (como faz todos os dias com todos os clientes), juntou as mesas para sentarmos, serviu uma entrada ótima de pastas (a coalhada com pepino é a melhor) com pães quentinhos e ficou ali, sentado conosco, nos convencendo de que ele realmente tem 92 anos! Depois, nos explicou sobre todas as deliciosas comidas que ficam expostas lá atrás na cozinha pra você escolher. No Acrópoles, você come primeiro com os olhos, despertando o paladar e o olfato antes mesmo da comida chegar à mesa, e, depois, experimenta pratos maravilhosos e muito bem servidos. Comi uma vitela saborosa, o marido comeu um mix de frutos do mar (só “pra variar”) e os amigos comeram um suculento e típico carneiro. Ainda tem os doces de nomes impronunciáveis e sabores irresistíveis. Não tem como não sair satisfeito de lá. Assim como São Paulo e como o próprio Bom Retiro, a comida do Acrópoles agrada gregos, troianos, gaúchos, paulistanos, judeus, baianos, pernambucanos e todos que ali convivem em harmonia. Mais uma lembrança bacana sobre diversidade e tolerância e menos um lugar na lista para conhecer antes de morrer. Valeu muito! (Dani Krause)
www.colegiodesantaines.com.br
Casa Búlgara: Rua Silva Pinto,356 - (011) 3222-9849
www.restauranteacropoles.com.br

terça-feira, 19 de maio de 2009

NOITE DAS ARÁBIAS NA VILA MASCOTE

Neste final de semana, fizemos uma reunião aqui em casa e resolvi fazer uma noite árabe. Adoro comida árabe, mas, por óbvio, eu nem me atrevo a começar a fazer nada. Encomendei toda a comida, coloquei umas velinhas e fiz um clima na casa. Aqui em São Paulo não faltam opções para matar umas vontades inesperadas (mentira, pra mim, são sempre bem esperadas) de uma comidinha assim. O Almanara é impecável sempre (a esfiha de verdura e a salada almanara são o que há), o Tenda do Nilo é marcado pelo jeito caseiro das irmãs Olinda e Xmune (o melhor falafel do mundo todo tem lá), o simples que satisfaz do Jaber, as delícias do Brasserie Victoria e o Arábia para uma ocasião mais sofisticada. Mas, pra mim, merece comentar o Halim ali na Rua Rafael de Barros no Paraíso (onde acabei fazendo as encomendas). Quando eu e o marido trabalhávamos ali pertinho frequentávamos mais, mas sempre é tempo de revisitar o lugar. Aliás, pelo menos pra quem conhece, é quase uma lenda urbana materializada. É uma tradição tão típica do lugar a comida ser boa e o atendimento ser desajeitado que não dá pra pensar em ir até lá e não ter algumas experiências diferentes. Eles reformaram o local em 2007 e ficou maior e mais bonito, mas continua com aquele mesmo ar simples e tradicional de que eu gosto tanto. O atendimento é um pouco estranho, os garçons parecem sempre estar de mal com a vida e não ouvir absolutamente nada do que se pede (sabe aquela sensação de que alguma coisa vai vir errada?), além, claro, de não ter passado um único dia em que a conta não tenha vindo com uns errinhos de cálculo (sempre para mais, claro), saindo do caixa comandado por uma senhora brava de cabelos cor de fogo (no fundo, acho que a gente tinha até um pouco de medo dela...). Eu sempre entro no Halim com o espírito preparado e acabo achando tudo muito hilário. Pode parecer esquisito, mas não é desagradável. Na verdade, fica até bem engraçado se você já souber o que te espera e não der muita bola pra certos “detalhes” (num lugar assim, eu não dou). Mesmo porque (e isso é realmente o mais importante) a comida tradicional vale a pena. Só para dar uns exemplos, a esfiha folhada de carne, a kafta com queijo, a abobrinha recheada e o michuí de filé merecem destaque, assim como os doces que são realmente muito bem feitos e fresquinhos. O negócio é que, depois de muito conversar para que a minha encomenda saísse certa, saiu tudo certo. E tão certo que foi o maior sucesso em casa. Depois de receber todos os elogios que, na verdade, não seriam “só” para mim, fiquei pensando que não dá nem pra imaginar um Halim descaracterizado com ótimo atendimento, toalhas de pano sobre as mesas, garçons sorridentes ou conta certinha e rápida. Afe, que chatice que ia ser! Não ia ter a menor graça. Nem o mesmo sabor... (Dani Krause)

Restaurante Halim - Rua Dr. Rafael de Barros, 56 - Paraíso

quarta-feira, 13 de maio de 2009

ALMOÇO COM COISINHAS

Hoje tive um daqueles almoços de negócio. Conheci a fonte (para quem não é do ramo,fonte é algum profissional que nos dá informações, pautas e entrevistas relevantes) no Fórum de Comandatuba e a conversa está rendendo frutos até agora. Ele havia sugerido um encontro no Maní, um restaurante na Joaquim Antunes que eu nunca tinha ido. Havia uma razão para ser lá. Num dos jantares lá do Fórum, a chef desse restaurante, Helena Rizzo, mandou muito bem com um cardápio para lá de delicioso (e inovador). Eu adorei. A fonte, simpática, lembrou e pensou em marcar por lá. Não deu certo. Já fica aqui avisado que o restaurante de portinha de madeira (a única coisa que deu para ver) fecha às segundas-feiras. O bom é que ainda podíamos escolher – naquela mesma quadra – onde iríamos almoçar. Havia em frente o Empório Ravioli (sempre uma boa opção para esses almoços de negócio) e um que nunca havia pisado, a Mercearia do Conde, na própria Joaquim, esquina com a Sampaio Vidal. Amei. O espaço é decorado com um tudo de coisinhas coloridas e lindas: bonecas, tapetes, pratos diferentes, quadros, esculturas. Havia a opção de prato executivo: daquelas que vem entrada, prato principal e sobremesa mas eu pulei essa parte e pedi logo um nhoque de mandioquinha numa cesta de queijo. Delícia. Imagine o queijo todo gratinado e bem fininho. Então, essa é a cesta, que forma na verdade uma espécie de concha. O nhoque vem dentro dela com um molho de tomate frescos e manjericão. E o prato (além de lindo) é farto. O preço: 39 reais. Justo. Percebi que cada prato vem numa louça diferente (e que louça linda). Tudo lá cheira arte. No corredor, há uma cortininha que dá para a loja Caixeiro Viajante. O nome tem, definitivamente, tudo a ver com o lugar. A loja vende de tudo (mas tudo com cara de arte): bonecas, quadros, aventais, galinhas, anjos, roupas (até para crianças), acessórios e umas caixinhas de música à manivela. Uma coisa linda. Tudo assinado por algum artista. Claro que achei mais um anjo lindo para minha coleção e comprei. Enfim, deixei de conhecer o espaço da chef Helena Rizzo mas tive a oportunidade de saborear um delicioso prato e conhecer um lugar que faz muito bem aos olhos. A Caixeiro Viajante é, sem dúvida, uma ótima opção para escolher o presente para aquela pessoa que gosta de coisas diferentes. Tiz, lembrei de você! (Dani Diniz)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DELÍCIA MINEIRA EM MÃOS BAIANAS

Eu sou totalmente louca por pão de queijo. Na verdade, acho que se me derem pedregulho com queijo eu como e como feliz. Mas aquele pão de queijo quentinho e macio, que você morde e enche a boca com sabores do interior, ai, é irresistível. Talvez seja o meu sangue mineiro herdado da vovó Dirce (que também faz um pão de queijo maravilhoso). Só sei que é quase uma tara pra mim. Coisa que eu adoro é passar pelo Pão de Queijo da Haddock Lobo e esperar aquela cesta ficar cheia de pão de queijo quentinho (fornadas a cada 15 minutos). É outro clássico já manjado da cidade, mas não menos imperdível. O lugar é super simples, quase não tem lugar para sentar (só tem um banco meio molenga), contrastando muito com aquele “chiquê” todo da esquina com a Rua Oscar Freire. Exatamente por isso é tão gostoso! Nunca consigo comer um só. Eu juro que eu tento. Mas não dá. Mesmo porque os atendentes ficam te tentando com a cesta cheinha e cheirosa e com as outras delícias do balcão. É, porque, além do pão de queijo (tão bom que o Tião, o baiano responsável por essa delícia, está ali fazendo a mesma receita desde os anos 60!), tem uns salgados ótimos, um quindim que até eu adoro (digo “até eu” porque eu odeio coco ralado com todas as forças da minha alma e ainda assim eu como sem reclamar o quindim deles) e uma torta de limão que, sério, é de comer ajoelhada. Olha, ao invés de torrar uma grana naqueles restaurantes “carééééérrimos” dos Jardins, passe uma tarde por lá, compre uns pães de queijo, uns docinhos e faça um piquenique em casa mesmo ou em algum lugar gostoso (que saudades do vovô que me levava pra fazer piquenique no Horto Florestal...). Tenho certeza que seu bolso, seu estômago e seu coração vão ficar agradecidos. (Dani Krause)


Pão de Queijo Haddock Lobo
Rua Haddock Lobo, 1408 – 3088-3087
Horário: 8h às 20h30 (dom. das 9h às 19h)
PS: Cuidado ao estacionar na porta. Vi pessoas serem multadas mesmo para parar “só um minutinho”.

terça-feira, 5 de maio de 2009

BONS SONHOS

Nas minhas andanças pela Vila Madalena, encontrei uma loja gracinha chamada Para Dormir. Claro, vendem roupa para dormir. Pijamas muito gostosos e divertidos. Para bebês e crianças, a loja oferece estampas tradicionais de ursinho e outras mais maluquinhas com aviões, fadas, caveiras coloridas, dinossauros, camuflagem e outras tantas que acho que meus sobrinhos iam adorar. Mas para adulto também tem, de flanela para se esquentar numa noite fria ou de algodão para aproveitar um calorzinho com bom humor. Essa é a ideia, mas tem outras ideias também, como esse pijama de amarrar do lado para as mulheres, que eu achei muito prático para grávidas ou que estejam amamentando. Aqui em casa temos uma controvérsia sobre pijamas. Eu adoro camisolas legais, pijamas mais ajeitados. Já meu marido diz que “homem não usa essas coisas” e acaba dormindo de camisetas detonadas e shorts velhos. Na Para Dormir descobri que isso não acontece só por aqui. Tanto que vendem muito para homens calças avulsas confortáveis de algodão com elástico (assim, podem continuar usando as tais camisetas brancas detonadas de homem!). Na loja você também encontra objetos diferentes como bonequinhos de lã e outros em estilo japonês de tecido, pesos para porta divertidos de gatos, bancos de papelão, nécessaires, bolsas, xícaras e bules japoneses para um chá calmante e até luminárias de papel para dar um clima no quarto. Nos últimos tempos, descobri que dormir é todo um processo gostoso de relaxamento, de desligamento da agitação do dia, e que deve começar muito antes de cair no sono. Tomar um banho morno, colocar um pijama confortável, ler um livro na cama e então ter uma noite só de sonhos bons. (Dani Krause)

Para Dormir
www.para-dormir.blogspot.com
Rua Fradique Coutinho, 1004 - Vila Madalena

domingo, 3 de maio de 2009

LANCHE DE FESTA

Foi a minha sogra quem trouxe a novidade há uns anos. Até então, nunca tinha visto nada parecido: uns pães redondos de vários tipos (mandioquinha, espinafre, tomate seco) com recheios maravilhosos de queijos e frios de qualidade e bem combinados. Além de serem deliciosos e terem um visual legal, são uma versão bem melhorada daquele conhecido pão de metro. Hoje, algumas padarias já estão fazendo, mas o primeiro lugar que eu soube fazer esse tipo de lanche diferenciado foi a Terracota Pães e Doces do Brooklin. Virei cliente. A Terracota não é uma padaria comum pra chegar lá e pedir meia dúzia de pãezinhos, porque só trabalham por encomenda, mas o atendimento é sempre muito bom. Aliás, eles cresceram muito nos últimos anos, estão com uma sede maior e continuam quase que especializados nesses pães diferentes e doces especiais. Acho uma idéia prática e rápida para reuniões em casa, aniversários e festinhas. Outra dica legal para esses eventos menores é a Califórnia Bakery, pra ficarmos ali pelo Brooklin também. Essa sim é uma padaria mais tradicional, mas eles fazem uns lanchinhos embrulhados individualmente muito bons e vendem por quilo. Deixe os sites anotados, porque se você não tiver muito tempo ou talento para cozinhar (como eu! hehe) pode ser muito útil um dia. (Dani Krause)
www.terracotapaes.com.br
www.californiabakery.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2009

SABORES PORTEÑOS

Como você já deve ter percebido, o marido é gaúcho. E, como todo bom gaúcho, adora um bom churrasco. Ele já tinha me falado de um restaurante chamado Parrilla Argentina, aqui no Jabaquara, perto de casa e do trabalho dele, e hoje fomos almoçar lá. O lugar fica fora do circuito tradicional de restaurantes da cidade, é pequeno e tem na boa comida e na simplicidade os destaques que te dão vontade de voltar. O cardápio é bem ilustrativo, com fotos de todos os pratos e dos cortes da carne (ainda cruas!), e é bem esclarecedor para quem não sabe nada sobre carne (como eu!). O movimento dos assadores na grelha me lembrou um lugar bem bacana que fomos em Bariloche, o El Boliche de Alberto (não é um boliche como os que a gente conhece daqui, mas uma churrascaria mais simples e ótima). No Parrilla, de entrada, pedimos umas empanadas (tipicamente argentinas) de queijo (deliciosa) e de carne apimentada e um tomate grandão com alcaparras gigantes e azeite de oliva libanês. De principal, pedimos um Ojo de Bife e uma Picanha de Cordeiro. As carnes estavam muito saborosas, sem muito sal, assadas conforme cada tipo de corte e vieram acompanhadas de batatas assadas com tempero de ervas e um pouco de alho frito (provençal). Dois pratos servem muito bem quatro pessoas, mas é possível pedir meia porção. As sobremesas são muito boas também. O marido comeu uma pêra com calda de frutas vermelhas, eu dividi com a minha mais-que-irmã uma panqueca de maçã e dulce de leche e o cunhado postiço comeu um negócio de amêndoas com chocolate. Tudo gostoso e bem servido, apesar de eu ter achado as sobremesas caras demais. Não estávamos muito no clima de tomar vinho, mesmo porque tínhamos que pegar nossos sobrinhos para uma “Noite de Bagunça na Casa dos Tios” e sono de origem alcoólica com a energia de crianças de 7 e 4 anos, definitivamente, não combinam. Mas o restaurante tem uma variedade enorme de bons vinhos, cerca de 500 rótulos à disposição do seu paladar, além de muitos tipos de cerveja, incluindo a uruguaia Norteña. Olha, se o marido, que é gaúcho, criado a pão-de-ló, leite, chimarrão e bom churrasco aprovou, vá com fé que você vai gostar também! (Dani Krause)

www.parrillargentina.com.br
Rua Professor Sousa Barros , 493 – Jabaquara – Perto do metrô São Judas - (11) 2577-6616
PS: Não aceitam Visa nem cartão de débito de qualquer bandeira

A PAULISTANA LIVRARIA CULTURA

Poderia escrever um post sobre Livrarias, que para mim é como parque de diversões para crianças. Mas a Livraria Cultura merece um texto à parte. Não que ela seja minha preferida, mas ela é diferente. Conheci a Livraria Cultura do Conjunto Nacional há uns dez anos, quando estudava ali no prédio da Gazeta. Era menor que a de agora mas já guardava seu encanto e, especialmente, o zelo no atendimento. E é isso que a torna tão diferente. Seus profissionais sabem como atender o cliente. Sabem do que nós falamos. E sabem porque realmente se interessam por cultura. Taí algo que muitas empresas poderiam aprender. Isso é o que chamamos de estar alinhado ao negócio. Seja por treinamento, por seleção, ou um pouco de tudo, a Livraria Cultura tem profissionais alinhados à sua (não dá para usar outra palavra) cultura. [Ai, acho que estou confundindo esse blog com o da VOCÊ RH]. Mas, seguimos. Passei por lá hoje para ver se encontrava o CD que não achei na Fnac: Mi Buenos Aires Querido, do Daniel Barenboim. Claro que encontrei. Imediatamente o vendedor de CDs me indicou para a seção de clássicos (que fica separada) e outro vendedor já colocou o CD em minhas mãos, explicando que era importado, sua qualidade e tal. Eu já tinha ouvido o CD e percebi, claramente, que ele conhecia mesmo o produto.Além de ter quase tudo que a gente quer, o diferencial da Cultura está nessa conversa – cliente/funcionário. E já que falei de gestão de pessoas não posso deixar de ligar a gestão da Cultura ao seu sucesso. A livraria, que nasceu do aluguel caseiro de alguns livros feito por Eva Herz, mãe do atual dono, Pedro Herz, está hoje em quatro estados brasileiros e conta ainda com planos de expansão. Eles souberam crescer de forma profissional sem perder o encanto que o mundo dos livros oferece. E crescer significa abrir uma mega loja no próprio Conjunto Nacional (um lugar com a cara de São Paulo) que, mais do que apenas uma livraria, se transformou em passeio de paulistano. O que não falta é gente – em qualquer horário do dia, em qualquer dia da semana – passando por lá para tomar um cafezinho, comer alguma coisa ou só para dar aquela xereteada básica nos títulos em destaque. Quando estou na Paulista, entrar na Cultura é rota obrigatória. O duro é sair do meu parque de diversões sem comprar algum brinquedo. (Dani Diniz)
www.livrariacultura.com.br

terça-feira, 28 de abril de 2009

PROGRAMA 2 EM 1

Sexta-feira foi meu último dia de férias. Na verdade tive uma folga em meio às férias mas isso não vem ao caso. O importante é que, apesar da chuva, do frio e da preguiça eu me propus a fazer um programa deliciosamente paulistano e que me fez tão bem. Com um tíquete do metrô, me desloquei até a estação da Luz e com apenas 8 reais pude passar a tarde entre a Pinacoteca do Estado e o Museu da Língua Portuguesa. Fazia uns seis anos que não pisava na Pinacoteca e lembrei da primeira vez que estive por lá. Foi também numa sexta-feira de outono chuvoso e eu me deixei levar pelas suas paredes de tijolinhos e todo o arsenal artístico que elas abrigam. Estive lá no meu segundo ano de faculdade para fazer algum trabalho de história da arte e fiquei horas olhando o vai-e-vem dos alunos, impacientes ao tentar anotar tudo que olhavam sem ver. Sexta-feira passada, alguns bons anos mais velha, tive a mesma sensação de calma ao olhar tantas artes e descobrir a pintura do francês Fernand Léger, artista do século XX que teve um relacionamento estreito com alguns modernistas brasileiros, entre eles, Tarsila do Amaral. Assisti inclusive a um filminho sobre sua vida e obra e achei seu trabalho muito rico. Interessante, por exemplo, a fixação que ele tinha pelas mãos e como conseguia retratar isso em seus quadros, alguns, confesso, aflitivos. O ruído dos adolescentes incomoda um pouco, é verdade. Mas basta brincar de gato e rato com eles para poder apreciar o acervo permanente do Museu, com obras belíssimas de Benedito Calixto, Almeida Júnior, Anita Malfati, Victor Brecheret entre tantos. Passei uma duas horas olhando o todo, subindo e descendo escadas e tirando fotos também. Ué, por que a gente só tira foto quando está fora de São Paulo? Tomei um cafezinho ali ao lado num espaço bonito mas de atendimento péssimo. Café com café mesmo pois não tinha nada muito gostosinho para acompanhar. Atravessei a rua e estava na bilheteria do Museu da Língua Portuguesa. Lá eu estive há menos tempo (no começo do ano passado e vi a excelente exposição de Gilberto Freyre). Como, infelizmente, a amostra de Machado de Assis já havia sido desfeita, me contentei com o Museu pura e simplesmente. E isso só basta. Assisti novamente ao filme sobre a origem das línguas na voz de Fernanda Montenegro e entrei no palco para ouvir de doces vozes poemas eternos, parágrafos intensos, canções de amor, de saudade, de exílio. Ouvi Camões, ouvi Pessoa, ouvi Drummond, ouvi Gonçalves Dias, ouvi Guimarães e senti todos eles. Eu me emocionei da primeira vez. Achei que era coisa de principiante. Não. Eu me emocionei novamente e como não sentir isso ao ouvir o Guardador de Rebanhos? Não, não dá. Infelizmente, os mais de cem alunos que se sufocavam no palco, ouviam sem escutar. Saí de lá e ainda me aventurei no túnel de palavras e no telão, que pega todo um corredor, e mostra um pouco da nossa cultura. Tirando o frio do ar-condicionado e o tumulto dos adolescentes, tudo valeu a pena. Peguei meu guarda-chuva, meu tíquete de volta do metrô e, em menos de 15 minutos, eu estava na estação Brigadeiro, onde fui tomar um cafezinho com minha irmã. Com sede de cultura e para ver se a chuva passava, parei na Fnac em busca de um CD que ainda não encontrei. A voz que recitaram os versos de Pessoa ainda estava nos meus ouvidos. E já que eu estava lá, por que não abrir o último exemplar que reúne mais de 100 textos inéditos do poeta português? Eu me contentei em reler apenas o Guardador de Rebanhos. Meu último dia de férias valeu por todos. Com apenas 8 reais eu me alimentei – de cultura (como uma vez disse – e ela também estava no Museu – Clarice Lispector). (Dani Diniz)
www.pinacoteca.org.br
www.museudalinguaportuguesa.org.br
www.fnac.com.br